Pauliceia Literária: Edney Silvestre e Alberto Mussa mostram gênese de obras

Por Aline Viana , especial para o iG | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Autores debateram como a pesquisa histórica e os relatos reais inspiram seus romances

Aline Viana
Alberto Mussa e Edney Silvestre na Pauliceia Literária

Edney Silvestre, jornalista e escritor de “Vidas Provisórias” (Intríseca), e Alberto Mussa, de “O Senhor do Lado Esquerdo” (Record), foram os convidados da conferência “Crime e memória – crimes reais e fictícios e seus contextos históricos”, na Pauliceia Literária, com medição do jornalista Flávio Moura. O debate focou na gênese do romance policial e sobre como a realidade permeia as obras de Edney e Mussa.

Siga o iG Cultura no Twitter

O jornalista observou que a pesquisa histórica oferece o suporte necessário para situar os personagens, seu processo criativo e o leitor. Em “Vidas Provisórias”, por exemplo, o autor refez os trajetos percorridos pela personagem Bárbara, uma brasileira auto exilada em Nova York a partir dos anos 90, e recorreu às suas próprias memórias como correspondente na cidade durante os ataques de 11 de setembro para compor a atmosfera do romance.

Em seu primeiro livro, “Se Eu Abrir os Olhos Agora” (Record), Edney disse ter partido de uma trama ficcional com tom memorialista sobre os anos 60, até que surgiu a cena em que o menino Paulo encontrava uma mulher morta e a partir daí o rumo da história mudou. De uma forma inconsciente, o romance terminou por evocar um fato real: “Só depois de publicado é que minha irmã me lembrou que em nossa cidade circulava, a boca pequena, uma história em que mãe e filha partilhavam um amante. E uma das duas matou o amante com uma carabina”, contou.

Em seu próximo romance, pela primeira vez, Mussa não usará a pesquisa apenas para ambientar a trama. Ele partirá de um episódio verídico que relata o primeiro assassinato na história da cidade do Rio de Janeiro:

“Dois anos depois da criação do Rio, um serralheiro foi assassinado com oito flechadas fora do recinto da cidade, que era murada naquela época. O processo que foi instaurado não levantou nenhum índio como suspeito: todos os acusados eram portugueses ou mamelucos cristãos. A cidade tinha 400 moradores e dez eram suspeitos! E imaginem o motivo… a mulher do serralheiro. A questão da disputa pela mulher é um tema presente em todas as mitologias, daí inseri algumas informações sobre a mitologia dos tupis.”

O episódio escolhido como deflagrador de seu próximo romance se insere nas características que fazem a literatura policial ser considerada um gênero de primeira grandeza pelo escritor, pois ela retoma características valorizas na origem das narrativas ficcionais:

“A ficção surgiu no Egito há mais ou menos 4 mil anos e o fundamento dela são as histórias extraordinárias, fatos que não acontecem todo dia e que os contadores buscavam para divertir o público pelo inusitado, pelo inédito. ‘As mil e uma noites’ são um caso clássico disso. O crime é um caso extraordinário – talvez ele pertença à natureza mais profunda literatura porque toda situação de homicídio é uma situação excepcional. Gosto muito da literatura policial e aprecio os bons romances que exploram essa situação de levar o ser humano a esse extremo”.

Leia tudo sobre: pauliceia literárialivrosedney silvestre

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas