Festival Pauliceia Literária recebe Scott Turow e homenageia Patrícia Melo

Por Aline Viana , especial para o iG |

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Em sua primeira edição, evento foca o gênero policial e aborda as conexões entre o direito e a literatura

Beto Lima
Valter Hugo Mãe na Flip

São Paulo recebe de hoje (19) até domingo (22) a primeira edição da Pauliceia Literária, festival organizado pela Associação dos Advogados de São Paulo (Aasp) e que leva ao Centro de São Paulo autores como Scott Turow, Valter Hugo Mãe, Juan Pablo Villalobos e os brasileiros Edney Silvestre, Ana Maria Machado, Ignácio Loyola Brandão e Laurentino Gomes.

O evento homenageia nesta edição a escritora Patrícia Melo - ao todo 33 autores participarão do festival.

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“Acho até um desafio fazer mais um evento literário em São Paulo e conseguir um espaço ao sol. A cidade tem muitos eventos de ótima qualidade: alguns são organizados por bibliotecas como a Mário de Andrade, outros pelo Sesc (Serviço Social do Comércio) e também tem a Balada Literária, que é um festival mais descontraído, mas também muito sério”, analisou Christina Baum, curadora do festival.

Christina participou do grupo que realizou a primeira Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), coordenou o Festival de Literatura da Palestina e foi curadora da série Brazilian Words do London Literature Festival. O convite para organizar a Pauliceia veio de Patrícia Melo, que conheceu Christina numa Flip e idealizou o festival com Luís Carlos Moro, diretor cultural da Aasp.

A programação começa às 19h desta quinta (19) com a mesa que homenageia a escritora, dramaturga e roteirista Patrícia Melo, um dos principais nomes da literatura policial do País.

Na conferência, o mediador Manuel da Costa Pinto irá analisar e discutir com a autora a evolução e o significado de sua trajetória.

Getty Images
O escritor Scott Turow

Os fios condutores desta edição do festival são a literatura policial e a inter-relação entre o mundo jurídico e a literatura. A mesa “Cena do Crime” foi especialmente pensada dentro dessa proposta e reúne, às 17h de sexta (20), os escritores Luís Francisco Carvalho Filho, Raphael Montes e William Landay para debater os paralelos entre os crimes na realidade e na ficção, e como a tecnologia e os problemas do mundo contemporâneo, como o cyberbullying e as “redes de morte” na internet, são representados na literatura policial.

Na sequência, haverá uma das principais mesas do festival: “Advogado, profissão: escritor” com a participação de Scott Turow, escritor que ainda atua como advogado em Chicago (EUA) e se baseia nessa experiência para escrever sucessos como “Acima de qualquer suspeita” (Best Bolso) e “O inocente” (Record), ambos adaptados para o cinema.

Valter Hugo Mãe e Juan Pablo Villalobos também se apresentam na sexta, às 14h, na mesa “O apocalipse das vacas”. Christina conta que sua inspiração para propor essa conferência foi o fato de ambos os autores usarem o humor para compor suas narrativas: “É uma oportunidade muito rara quando um curador consegue atingir a química perfeita (entre os autores convidados). Eles nunca estiveram juntos. No romance do Villalobos ‘Se Vivêssemos Num Lugar Normal’ (Companhia das Letras), tem uma fala de um personagem que diz que na cidade ‘há mais vacas que pessoas e mais padres do que vacas’, e o Valter Hugo Mãe acaba de lançar ‘O Apocalipse dos Trabalhadores’ (Cosac Naif), que também tem uma veia de humor, daí misturei as duas ideias e propus um debate entre eles”.

No sábado (21), os destaques começam com a mesa oito, marcada para as 11h e dedicada à Lygia Fagundes Telles: Ana Maria Machado, Beatriz Bracher e Luiza Nagib Eluf debaterão o papel da mulher na literatura e no direito. Vale lembrar que Lygia foi uma das primeiras mulheres a se formar em direito no País. Às 13h, Laurentino Gomes, fala sobre sua trilogia de livros históricos “1808”, “1822” e “1889”, este último recém-lançado.

A mesa “Crime e memória – crimes reais e fictícios e seus contextos históricos” trará os escritores Alberto Mussa, Boris Fausto e Edney Silvestre discutindo de que maneira os acontecimentos e valores de uma época influem na cena do crime. A última mesa, das 19h, “Advogado do Diabo”, assume a vocação polêmica ao levantar questões como a redução da maioridade penal, a insegurança pública e o papel da PM – os participantes serão Patrícia Melo, Luiz Eduardo Soares e Antônio Cláudio Mariz de Oliveira.

O último dia começa, às 11h, com uma mesa dedicada à poesia de Fernando Pessoa, com a presença do colombiano Jerônimo Pizarro, especialista na obra de Pessoa, e de José Paulo Cavalcanti, advogado e autor de “Fernando Pessoa, uma quase autobiografia” (editora Record). Já a mesa “Pauliceia estilhaçada” irá abordar livros que tenham a cidade de São Paulo como cenário e terá a presença do escritor e titã Tony Belloto, Marçal Aquilo, autor de “Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios” (Companhia das Letras) e Maria José Silveira, autora de “Pauliceia de mil dentes” (Prumo).

Entre os diferenciais da Pauliceia, Christina cita a oficina “Da ideia a criação do romance” ministrada por Richard Skinner, professor e diretor do curso “Como escrever um romance”, da Faber Academy, que já está com as inscrições esgotadas. Skinner ainda participa de uma mesa que discute cinema e literatura, às 15h de sexta. A curadora também destaca a mesa das 11h de amanhã, na qual Ignácio Loyola Brandão e Eros Grau, escritor e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, discutirão temas propostos pelo público – as sugestões podem ser feitas pelo site do festival (www.pauliceialiteraria.com.br); um espaço para troca de livros pelo público e a mesa de autógrafos, que ficará na entrada do prédio da Aasp, de modo que todos que circularem pelo Centro tenham a oportunidade de interagir com os autores.

Pauliceia Literária
Aasp – Associação dos Advogados de São Paulo (r. Álvares Penteado, 151, Centro, SP)
Ingressos: Auditório - R$ 32; salas com telão - R$ 16
Locais de venda: Livraria Cultura (Conjunto Nacional, avenida Paulista, 2.073) e no site www.pauliceialiteraria.com.br

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