Bruna Beber recorda infância nos anos 1990 com poemas de "Rua da Padaria"

Por Susan Souza , iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Com doce ironia e saudosismo, escritora retrata o cotidiano e as memórias vividas no Rio de Janeiro

A poesia da carioca Bruna Beber, autora do recém-lançado livro "Rua da Padaria", traz a sutileza e o humor de quem observou e foi sensível aos anos 1990. Ao viver as surpresas do cotidiano e nele descobrir uma macumba na encruzilhada, participar da malhação do Judas ou sentir os dissabores dos relacionamentos, a autora inspira a geração pré-internet a olhar para o passado.

A nova obra de Bruna é "um livro de memórias vividas e criadas a partir de sua infância na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro" daquela época, resume a autora, em entrevista ao iG.

Divulgação
A poeta Bruna Beber

Nascida em Duque de Caxias, em 1984, Bruna foi moradora de São João de Meriti (Rio de Janeiro) e está em São Paulo há seis anos. Desde pequena, já demonstrava interesse para narrar grandes histórias em poucas palavras.

"Escrevo poesia desde que aprendi a escrever. Assim que aprendi a ler, a primeira coisa que escrevi foi poesia. Foi natural e magnífico perceber, aos seis, sete anos, que eu conseguia brincar com as palavras e me expressar por meio delas", conta. "Felicidade é o que tem dentro/ das bolinhas de papel/ e se arremesso/ lá vai ela", relembra no poema "De Castigo na Merenda".

A temática dos textos abrange, além das situações das salas de aula, a visão que Bruna tinha das tias e avós, a lembrança de uma morte próxima, a observação que fazia das pessoas que passavam pela rua e as primeiras impressões, um tanto melancólicas e sinceras, sobre o amor.

A expressão mais forte do sentimento se dá no texto "Romance em 12 linhas", no qual indaga: "quanto tempo falta pra gente se ver hoje/ quanto tempo falta pra gente se ver logo".

Siga o iG Cultura no Twitter

Na mais recente edição da Festa Literária Internacional de Paraty, que aconteceu entre os dias 3 e 7 de julho, Bruna, de 29 anos, participou de uma mesa de debate com as também poetas Alice Sant’Anna e Ana Martins Marques.

Divulgação
A escritora Bruna Beber

As três são jovens e falaram sobre a função e o estilo de seus textos. "A nossa mesa foi muito boa, três poetas mulheres, as mais jovens da festa. Achei que as pessoas que estavam na plateia gostaram do debate e sobretudo das leituras", avalia.

No entanto, Bruna não acredita que representa uma geração específica de novos poetas brasileiros. "Existem muitas pessoas escrevendo poesia, cada uma a seu modo. Não acho que exista uma geração, acho que existem pessoas com produções diversas e o que as une são o tempo em que vivem", analisa.

"Acho bom não haver “escolas literárias”, como já ocorreu em nossa literatura. As pessoas se unem por afinidades estéticas, pelo diálogo de obras e ideias, mas não é tão preponderante pertencer a um grupo, é uma opção."

Integrante inegável de uma geração que passou pela transição do mundo analógico para a tecnologia das redes sociais, a autora, que já teve vários blogs e alimenta com mais assiduidade o "Avoa Dinossauro", conta que atualmente "não usa a internet para escoar toda a produção, mas parte dela".

"Uso mais como ferramenta de divulgação, articulação e troca de informações e ideias, e por meio da internet conheço, também, outros escritores e seus trabalhos."

Os poemas de Bruna Beber já foram traduzidos e publicados na Alemanha, Espanha, Estados Unidos, México e Portugal. Antes de "Rua da Padaria" (Editora Record, 2013), publicou "A Fila Sem Fim dos Demônios Descontentes" (2006), "Balés" (2009) e "Rapapés & Apupos" (2012).

Leia tudo sobre: Bruna BeberRua da Padariapoesiaslivroliteratura

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas