Os pontos altos e baixos da 11ª Flip

Por iG São Paulo , especial por Aline Viana |

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O balanço da edição de 2013 da Festa Literária Internacional de Paraty e as perspectivas para 2014

Walter Craveiro/Divulgação
Na mesa "Livro de Cabeceira", convidados leem trecho de livro favorito

A Festa Literária Internacional de Paraty, que aconteceu de 3 a 7 de julho, teve grandes momentos como a mesa-sarau com Maria Bethânia e Cleonice Berardinelli, mas também sofreu com a ausência de três autores na última hora (o francês Michel Houellebecq, o norueguês Karl Ove Knausgård e o poeta egípcio Tamim Al-Barghouti).

Para quem percorria as ruas de Paraty durante a Flip era perceptível que houve menos público, sendo possível encontrar vaga em pousadas em pontos disputados (como nas imediações da rodoviária) ainda no início da festa – fato quase inimaginável em edições anteriores.

Até mesmo artistas de rua havia em menor número, ficando concentrados na rua do Comércio, longe das tendas. Apenas no sábado é que as ruas calçadas de pedra ficaram abarrotadas de gente. A razão talvez esteja no fato de que, nesta edição, nomes menos badalados estavam escalados: não havia nenhum Jonathan Frazen (convidado de 2012), James Ellroy (2011) ou Neil Gaiman (2008) para lotar a tenda do telão e seus arredores.

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John Banville. Foto: Aline VianaO crítico italiano Roberto Calasso, na Flip 2013. Foto: Aline VianaA suíça Jeanne Marie Gagnebin na Flip 2013. Foto: Aline VianaJérôme Ferrari. Foto: DivulgaçãoGeoff Dyer. Foto: DivulgaçãoJuan Pablo Villalobos na Flip 2013. Foto: Walter Craveiro/DivulgaçãoT.J. Clark participa de mesa na Flip 2013. Foto: Aline VianaMesa com a francesa Lila Azam Zanganeh na Flip 2013. Foto: DivulgaçãoMilton Hatoum. Foto: DivulgaçãoEduardo Coutinho na Flip 2013. Foto: Walter Craveiro/DivulgaçãoO escritor Daniel Galera. Foto: DivulgaçãoCleonice Berardinelli e Maria Bethânia na Flip 2013. Foto: Walter Craveiro/DivulgaçãoGilberto Gil em show na Flip 2013. Foto: Divulgação

Avalizar qual foi essa queda, porém, não é possível porque não foi realizada nenhuma pesquisa pela Flip ou pela prefeitura para mensurar o público. A organização apenas informou que a expectativa é de que o número de visitantes tenha oscilado entre 20 mil e 25 mil pessoas.

Embora não tenha entrado na lista dos pontos altos desta edição (que você pode conferir abaixo), vale destacar que a tenda do telão ganhou uma tela realmente digna do nome. De qualquer ponto da tenda ou seu entorno era possível assistir com qualidade as palestras.

Pontos altos

As mesas extras para discutir as manifestações realizadas pelo País. Os debates foram um sucesso de público e crítica, além de atrair uma audiência mais jovem e engajada ao evento.

A cantora Maria Bethânia e a acadêmica Dona Cléo Berardinelli declamando poemas de Fernando Pessoa: um dos momentos mais emocionantes desta edição.

Walter Craveiro/Divulgação
Maria Bethânia na Flip 2013

O cineasta Eduardo Coutinho contando seus planos para caso fosse “eleito ditador”.

A mesa com a franco-iraniana Lila Azam Zanganeh, que falou em português e até cantarolou “Trem das onze”, clássico de Adoniram Barbosa.

A sopa vendida pelos voluntários da festa de Santa Rita por R$ 10: a melhor relação custo benefício da festa.

Pontos baixos

A má qualidade do som no show de abertura do cantor e ex-ministro Gilberto Gil.

Divulgação
Gilberto Gil em show na Flip 2013

O tom acadêmico da palestra de abertura, conduzida pelo amazonense Miltom Hatoum.

As desistências do francês Michel Houellebecq, autor de “Partículas elementares”, do norueguês Karl Ove Knausgård, autor de “Minha luta”, alegando motivos pessoais. A ausência de Tamim Al-Barghouti, poeta e ativista político egípcio, que não conseguiu embarcar para o Brasil por ter perdido o passaporte após deixar o Cairo (Egito).

O preço dos ingressos na tenda do telão (R$ 46), que junto com o valor da tarifa de ônibus local (era de R$ 3,70, caiu para R$ 3,40 após manifestações anteriores, mas a reivindicação pede que a tarifa fique na casa dos R$ 2) e a questão da concorrência por turistas entre barqueiros tradicionais e escunas, foi objeto de um protesto, com cerca de cem pessoas, que começou no cais e se dirigiu à Prefeitura de Paraty.

A sala de imprensa, que não teve instalações adequadas para o trabalho dos jornalistas, como em 2012. A precariedade da internet também se repetiu.

Balanço oficial

Na coletiva de encerramento, a organização destacou como principais pontos altos da programação deste ano duas oficinas: uma para alunos de arquitetura ministrada pelo português Eduardo Souto e outra de cenotecnia, oferecida para os paratienses.

Aline Viana
Mauro Munhoz

Mauro Munhoz, diretor-presidente da Flip, ainda destacou a presença de Gilberto Gil na festa: “O Gil aceitou vir a Flip por um cachê de R$ 55 mil, valor suficiente para pagar apenas os custos do show dele. Ele resolveu vir por essa militância (pelo defeso cultural)”.

O curador Miguel Conde admitiu que este ano vieram autores menos badalados do que em 2012, da qual participaram Ian McEwan, Jonathan Frazen e Jennifer Egan, mas justificou que isso se deve, em parte, à disponibilidade dos autores.

Sobre as desistências, Conde disse que a Flip mantém contato constante com os convidados, para confirmar a presença: “Quando isso acontece de última hora, podemos insistir, mas é difícil contornar. Conseguimos encontrar substituições para esses cancelamentos: fiquei feliz que o T. J. Clark topou falar em uma mesa extra. Ele disse que preferia falar sobre o Picasso, mas foi bom que ele tenha conversado sobre esquerda no sábado. O Juan Pablo (Villalobos) é um autor que tínhamos pensado em conversar desde o ano passado: o livro dele se encaixa bem (na proposta de mesa Ficção e Confissão ) e a conversa funcionou bem com o Tobias Wolff”, analisou.

Conde ainda comentou que a homenagem a Graciliano Ramos foi “muito adequada em relação ao momento político do país” porque, “além da militância política do autor, a própria obra se define em torno de suas preocupações políticas”. O curador também destacou o sucesso das mesas extras sobre as manifestações. Segundo Munhoz, a Flip poderá repensar sua programação de modo a cativar o público jovem que compareceu às palestras inspiradas pelos protestos.

Divulgação
Liz Calder

Já Liz Calder, idealizadora da Flip, destacou que este ano haverá uma edição inglesa da Flip: o Flipside Festival, que terá a participação de autores como Miltom Hatoum, Ana Maria Machado, Ferréz, Patrícia Melo e da cantora Adriana Calcanhoto. A programação infantil terá capoeira, adiantou.

Flip 2014

A data para a Flip 2014 não está fechada, mas a festa será realizada no mês de agosto de forma a não coincidir com a Copa do Mundo. Ainda não foi definido quem será o autor homenageado no próximo ano, mas os nomes mais cotados são de Mário de Andrade, Rubem Braga e Lima Barreto.

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