Eduardo Coutinho, Maria Bethânia e Dona Cléo estão entre os destaques da Flip

Por iG São Paulo , especial por Aline Viana | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

As questões levantadas pelas manifestações populares permearam do show de Gilberto Gil à maioria das conferências

Walter Craveiro/Divulgação
Eduardo Coutinho na Flip 2013

O documentarista Eduardo Coutinho, Lila Azam Zanganeh, a cantora Maria Bethânia e dona Cleo Berardinelli, Gilberto Gil e mesa que reuniu Vladimir Satafle, Tales Ab’Saber e T. J. Clark foram os destaques desta 11ª versão da Festa Literária Internacional de Paraty. Segundo a organização da festa, entre 20 mil e 25 mil pessoas passaram pelo evento.

Leia mais: Os pontos altos e baixos da Flip 2013

Vale destacar que a escolha de Graciliano Ramos como homenageado desta edição se revelou bastante oportuna, pois coincidiu com as manifestações de rua que têm se espalhado pelo Brasil: “Graciliano nos chama a atenção para a coerência ética, ele que teve um absoluto respeito pelas coisas públicas. Se vivo fosse, Graciliano estaria apoiando de forma entusiástica às manifestações”, declarou Dênis de Moraes, biógrafo do escritor alagoano.

John Banville. Foto: Aline VianaO crítico italiano Roberto Calasso, na Flip 2013. Foto: Aline VianaA suíça Jeanne Marie Gagnebin na Flip 2013. Foto: Aline VianaJérôme Ferrari. Foto: DivulgaçãoGeoff Dyer. Foto: DivulgaçãoJuan Pablo Villalobos na Flip 2013. Foto: Walter Craveiro/DivulgaçãoT.J. Clark participa de mesa na Flip 2013. Foto: Aline VianaMesa com a francesa Lila Azam Zanganeh na Flip 2013. Foto: DivulgaçãoMilton Hatoum. Foto: DivulgaçãoEduardo Coutinho na Flip 2013. Foto: Walter Craveiro/DivulgaçãoO escritor Daniel Galera. Foto: DivulgaçãoCleonice Berardinelli e Maria Bethânia na Flip 2013. Foto: Walter Craveiro/DivulgaçãoGilberto Gil em show na Flip 2013. Foto: Divulgação

Gilberto Gil fez um dos shows mais disputados na história recente da Flip, na última quarta: a tenda do telão estava lotada, com centenas de pessoas assistindo do lado de fora. Durante a apresentação, houve falhas no som e, como Gil não conseguia distinguir a queixa do público, soltou, entre crítico e bem-humorado: “Assembleia! Estamos em assembleia. Qual é a queixa? Tem alguma queixa relevante, ou é como as manifestações, tudo difuso?”.

No dia seguinte, Gil participou da mesa “Cultura locais e globais”, com a historiadora Marina de Mello e Souza, e causou sensação ao dar sua interpretação sobre as recentes manifestações populares: “Você está vendo o questionamento desse modelo de civilização montado nas locomotivas, na aceleração, no capital e nos seus interesses de ganho e acumulação. Outro dia, me perguntaram sobre essas manifestações. Eu disse isso é uma manifestação do cansaço. A gente se dedicava a essa marcha (imita sons de motores) e fomos pra rua para querer um pouquinho de descanso”.

A franco-iraniana Lila Azam Zanganeh foi eleita a musa do evento pelo público após participar da mesa “O prazer do texto”, no segundo dia da festa. Autora do livro “O encantador: Nabokov e a felicidade", no qual “entrevista” o autor do clássico “Lolita”. “Para Nabokov, os romances mais importantes da história da literatura são contos de fadas. 'Em Busca do Tempo Perdido', de Proust, era um conto de fada, 'Ulysses', de James Joyce, era um conto de fadas. A literatura é como um passe de mágica, cria universos únicos apenas com a linguagem”, disse Lila.

Ainda na quinta-feira, cantora Maria Bethânia e a imortal Cleonice Berardinelli realizaram uma mesa em estilo sarau, declamando poemas do português Fernando Pessoa. A cantora teve uma atuação discreta, deixando a cena livre para dona Cléo conquistar a plateia com suas histórias.

O cineasta Eduardo Coutinho esbanjou franqueza e bom humor no sábado. Ao contar o que faria se “fosse eleito ditador” ganhou o voto do auditório ao apresentar seu plano de governo: “fecharia os partidos (políticos) até segunda ordem” porque hoje há muitas “legendas de aluguel”. Ele ainda se definiu como um “materialista mágico”, mas que carrega um santinho de Nossa Senhora de Guadalupe na carteira.

À noite, a mesa com Vladimir Satafle, Tales Ab’Saber e T. J. Clark discutiu como a Copa das Confederações se tornou alvo das manifestações populares no Brasil. Clark diagnosticou: “O mundo está fascinado com a visão do Brasil se voltando contra o culto do futebol. A igreja do futebol, o estádio, é que está sendo contestada. (…) Algo está acontecendo que nem o Pelé consegue desviar essa raiva”. Satafle defendeu que as manifestações, seja pelo Movimento Passe Livre ou contra a Copa, agreguem várias bandeiras: “É preciso cobrar uma luta geral e irrestrita à corrupção. O que as pessoas querem é que o último mensaleiro petista seja enforcado nas tripas do último mensaleiro tucano. É a pauta e não há nada de conservador nela. Ela é transformadora”.

No domingo, Daniel Galera e Jérôme Ferrari realizaram a mesa “Tragédias no microscópio”, em que analisaram suas obras “Barba ensopada de sangue” e “O sermão da queda de Roma”, fazendo análises e revelando detalhes que, se saciaram a curiosidade de quem já conhecia as obras, aguçou as de quem ainda não teve a experiência de lê-las.

Leia tudo sobre: Flip 2013FlipliteraturadestaquelivrosEduardo CoutinhoMaria BethâniaDona Cleo

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas