Tobias Wolff e Juan Pablo Villalobos discutem a ficção e realidade na literatura

Por iG São Paulo , especial por Aline Viana |

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O escritor americano Tobias Wolff levou a plateia ao riso ao comentar sua estratégia para entrar na faculdade

Walter Craveiro/Divulgação
Tobias Wolff e Juan Pablo Villalobos na Flip 2013

Ficção e confissão foi o tema da oitava conferência apresentada nesta 11ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty. Os palestrantes foram Tobias Wolff, norte-americano autor de “No exército do Faraó” (1994), e o mexicano Juan Pablo Villalobos, autor do recém-lançado “Festa no Covil”.

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Os escritores discutiram o papel da imaginação e da realidade no ofício que executam. Villalobos, que mora na cidade de Campinas (interior de São Paulo), foi escalado de última hora para substituir o autor norueguês Karl Ove Knausgaard, que cancelou na última semana sua participação na feira. Villalobos brincou sobre o episódio, dizendo que sua presença decepcionaria os que esperavam por um “escritor norueguês loiro”.

Walter Craveiro/Divulgação
Tobias Wolff na Flip 2013

Wolff contou que sua trajetória como ficcionista começou quando decidiu entrar para a faculdade e falsificou suas notas e cartas de recomendação. “Eu estudava numa escola péssima, tinha uma situação familiar muito ruim e tinha a oportunidade de ganhar uma bolsa, mas não a merecia porque tinha notas horríveis. Então escrevi as minhas próprias cartas de recomendação pelos meus professores de educação física e por todas as matérias nas quais havia sido reprovado”, contou com ares de travessura.

A “molecagem” só foi possível porque os boletins da escola eram escritos a lápis, então ele os apagava e reescrevia com notas azuis. “Esse personagem foi o primeiro que criei: um personagem chamado Tobias Wolff, uma pessoa maravilhosa e muito bem recomendada”, arrematou o americano.

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Juan Pablo Villalobos na Flip 2013

Para Villalobos, a mentira surgiu como um recurso também parecido com a ficção ainda na infância. “Era narrar a realidade de um jeito mais emocionante. A gente mentia sobre coisas que não tinham porquê mentir, era simplesmente para se divertir. E, para mim, foi sim um primeiro impulso como experiência pessoal para a ficção”, relembrou.

Quanto a seus livros autobiográficos, Wolff defendeu que é preciso confiar na própria memória para escrever esse tipo de obra: “Ainda que a memória seja parcial e vá atender a seus próprios desejos. Se você não vai contar a história que sua memória indica, com acontecimentos e personagens que não existiram, então escreva um romance”.

Sobre seu novo romance, Villalobos confessou que só acertou o tom na sétima vez em que o reescreveu, pois demorou a achar o narrador certo. O insight veio apenas quando encontrou a primeira frase: “Algumas pessoas dizem que sou precoce”, falada por Tochtli, um garoto. “Essa voz estava livre de moralismo. Achei que era importante falar de um tema tão grave como a violência no México sem moralismos, foi isso que me levou a escolher uma voz infantil”.

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