"Pop" e "irreverente", Paulo Leminski continua influente 24 anos após sua morte

Por Fernando Antonialli , iG São Paulo | - Atualizada às

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Antologia poética do autor bateu "50 Tons de Cinza" em ranking de mais vendidos; especialistas comentam obra

Muitos são os adjetivos que acompanham o nome de Paulo Leminski. Escritor, crítico literário, tradutor, professor e judoca faixa-preta são alguns, mas o maior de todos é o de poeta. Com a antologia "Toda Poesia", lançada em fevereiro pela Companhia das Letras, o autor cuja morte completa 24 anos nesta sexta (7) mostra ser ainda relevante: bateu, em março, "50 Tons de Cinza" no ranking dos mais vendidos da Livraria Cultura.

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Imagem do filme "Ervilha da Fantasia" documentário de Werner Schumann rodado em 1985 com Paulo Leminski

"É uma poesia super-irreverente." É essa a principal característica apontada por Noemi Jaffe, doutora em Literatura Brasileira e professora da PUC-SP, nos versos de Leminski que permite que eles resistam ao tempo. "[Ele] consegue falar em uma linguagem muito pop, em uma linguagem simples e sem nenhum floreio. Não há a dificuldade de se entender nada, é bem visual."

"A razão que imagino para um 'estouro' de vendas", diz Alcir Pécora, professor de literatura na Universidade Estadual de Campinas, sobre o sucesso de "Toda Poesia", "seria o destaque dado ao lado mais fácil de sua poesia, que junta humor, certas espertezas verbais, poemas com jeito de letra pop e algum tipo de pensamento rápido para a sabedoria da vida. A química de tudo isso, associada a uma campanha publicitária profissional, talvez possa ser um indício de explicação".

Já para o escritor Joca Reiners Terron, vencedor do prêmio Machado de Assis na categoria melhor romance com "Do Fundo do Poço se Vê a Lua", é a proximidade do meio virtual que garente a Leminski sua popularidade. "A poesia dele tem grandes qualidades, mas algumas características, como o humor, a linguagem urgente e até uma certa melancolia – que ele chamava de parnasianismo chic –, que se adequam à linguagem da internet, das mídias sociais", afirma.

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Porém, para Sofia Mariutti, editora da antologia "Toda Poesia", o sucesso do livro pode ter acontecido devido a outros fatores. "O carisma, que ele sempre teve e cresceu com os anos, gerou uma legião de fãs", afirma. No entanto, a dificuldade de se encontrar os livros do autor podem ter atraído uma bem-vinda atenção para o lançamento. "A obra dele estava muito escassa, o que talvez tenha ajudado, ou talvez pelo fato de ser a poesia inteira reunida em um volume com capa de apelo forte".

Para Alcir Pécora, Leminski é autor de uma poesia "que se entende rapidamente, sem deixar de contar com finezas verbais e sentido poético; poesia que geralmente carrega uma mensagem e capaz de falar de coisas concretas, tangíveis. Acho que isso atrai mais do que a tendência abstratizante de grande parte da poesia lírica contemporânea".

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"Toda Poesia", antologia de Paulo Leminski

Trajetória

Filho de pai polonês e mãe negra, Paulo Leminski Filho nasceu no dia 24 de agosto de 1944, em Curitiba. Quando criança, já participava de concursos de poesia, mas só foi ter trabalhos publicados em 1964, quando cinco poemas apareceram nas páginas da Revista Inverção.

No ano seguinte, lecionou história e redação em cursos pré-vestibular enquanto também trabalhava como professor de judô.

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Mas o autor não se limitou aos poemas. Nos anos 1970 e 1980, Leminski expandiu seu leque de atuação escrevendo obras em prosa, biografias, ensaios e traduções. Nomes como Samuel Beckett e James Joyce receberam versões em portiguês pelas mãos do curitibano, que também testava seu próprio talento como autor, como na prosa experimental "O Catatau", de 1975.

E ele não parou por aí. Entrou para o mundo da música ao escrever "Verduras", gravada por Caetano Veloso em 1981. O próximo passo foi assumir os vocais, o que fez principalmente em parceria com nomes como Moraes Moreira, Ivo Rodrigues e José Miguel Wisnik.

Dos inúmeros expontes da prolífica carreira de Paulo Leminski, são as poesias as obras mais lembradas - e influentes. Sua antologia poética, que em pleno século 21 chegou ao topo dos mais vendidos, mostra como seus versos ainda se comunicam com o público.

Paulo Leminski morreu em 1989, por consequencia de um cirrose hepática da sofria já a alguns anos.

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