FHC será candidato à imortalidade pela Academia Brasileira de Letras

Por Brasil Econômico - André Pires |

compartilhe

Tamanho do texto

Ex-presidente tem 34 livros e apoio de alguns membros para ocupar vaga de João Scantimburgo

Brasil Econômico

Reprodução
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso

Depois de desistir da ideia em outras oportunidades, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso apresentará sua candidatura a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras.

O tucano deve entregar uma carta de intenção de ingresso na entidade assim que a cadeira 36 — antes ocupada por João Scantimburgo, falecido na última semana — for declarada vaga em sessão solene.

Possíveis candidatos devem se apresentar durante o mês de abril para a eleição que ocorrerá em maio.

Na ocasião, os 39 membros da Academia Brasileira de Letras votarão, mas, nos bastidores, a vitória de FHC é dada como certa, já que boa parte dos responsáveis pela votação apoiam seu nome. Entre eles está o senador José Sarney, que faz parte da Academia desde 1980, graças a sua produção literária em prosa e poesia.

Se confirmada, a aprovação de um político para ocupar uma cadeira na ABL não será inédita. Além de Sarney, que foi presidência da República, o ex-presidente Getúlio Vargas também parte da galeria dos imortais. Sua inclusão é apontada como política, já que entrou durante sua ditadura sem ter publicado um livro sequer. Seus discursos presidenciais foram utilizadas como obras para análise.

Veja também: Saiba mais sobre Fernando Henrique Cardoso

Outro político que faz parte da Academia é Marco Maciel, que deve votar a favor da entrada de FHC - afinal, ele foi vice-presidente durante a gestão do tucano. Maciel tem oito livros sobre política, principalmente, sobre liberalismo.

Contudo, houve caso de rejeição. Juscelino Kubitschek, por exemplo, não conseguiu emplacar seu nome na ABL, sendo derrotado pelo escritor goiano Bernardo Élis.

Sociólogo, Fernando Henrique teve uma vida acadêmica vasta antes de ingressar de cabeça na política. Formado na USP, onde é professor emérito, ele ministrou aulas em diversas universidades internacionais, como em Cambridge, na Inglaterra. Ao todo, FHC escreveu como autor ou co-autor 34 livros, abordando principalmente a democracia e a política brasileira.

“Um nome como o dele ajuda a redimir a ABL de sua pobre política corporativista”, afirma Gilberto Mendonça Teles, professor emérito de Letras da PUC-RJ, apoiando sua entrada. Antes da eleição de FHC, a ABL tem de escolher um novo membro, ainda em abril, para a cadeira deixada pelo escritor Lêdo Ivo.

Onze candidatos se apresentaram: João Almino, Antônio Cícero, Rosiska Darcy Oliveira, Mary Del Priore, Marcus Accioly, Diego Mendes Souza, José Paulo da Silva Ferreira, Cláudio Murilo Leal, Blasco Peres Rego e Joaquim Cavalcanti de Oliveira Neto.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas