Penguin e Random House anunciam fusão para enfrentar desafio digital

Se aprovada, união das editoras será a maior na indústria desde 2006, dizem os analistas

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Em resposta ao desafio que supõe o mercado dos livros digitais, as editoras Penguin e Random House anunciaram nesta segunda (29) um acordo de fusão que dará passagem a criação de uma empresa líder no mercado de língua inglesa.

As editoras, já consolidadas nos mercados dos EUA e do Reino Unido, combinarão seus negócios para criar a Penguin Random House, segundo o acordo alcançado hoje por suas proprietárias: a britânica Pearson, dona da Penguin, e o conglomerado alemão Bertelsmann, proprietário da Random House e majoritário no futuro negócio conjunto.

Os dois grandes proprietários estimam que a nova empresa conte com fortes recursos para investir em conteúdos de qualidade e no mercado digital, assim como aumentar sua presença em mercados emergentes. Penguin e Random House fazem parte das "seis grandes" editoras do mundo, junto com Hachette, HarperCollins, Macmillan e Simon & Schuster, que nos últimos tempos sentiram uma drástica mudança no hábito de leitura dos consumidores devido ao desenvolvimento de novas tecnologias, como o tablet Kindle.

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"Cinquenta Tons de Cinza", da Random House

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Segundo os analistas, no momento em que essa fusão se concretizar, será a maior na indústria desde 2006, quando o grupo Lagardere comprou a Time Warner Books para criar a editora Hachette. Em virtude do acordo negociado, o grupo alemão terá uma participação de 53%, enquanto os 47% restantes estarão nas mãos do dono da Penguin.

Apesar do anúncio das editoras, o pacto deverá ser firmado somente no final de 2013, já que os grupos ainda têm que receber um aval das autoridades reguladoras. Caso seja aprovado, essa fusão poderá gerar uma receita anual estimada em US$ 4 bilhões (R$ 8,1 bilhões).

A editora Random House, a primeira do Reino Unido, teve um grande ano graças ao êxito do romance "Cinquenta Tons de Cinza" , da autora E.L. James, enquanto a Penguin, encarregada da venda dos livros de culinária chef inglês Jamie Oliver, é a terceira editora mais importante do mercado britânico.

Segundo o acordo, o grupo Bertelsmann contará com cinco diretores no conselho de administração do novo negócio conjunto, enquanto a britânica Pearson fornecerá outros quatro. John Makinson, presidente e executivo-chefe da Penguin, será o presidente da Penguin Random House, enquanto Markus Dohle, atual executivo-chefe da Random House, terá o mesmo cargo no negócio conjunto.

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John Makinson, da Penguin, será o presidente da Penguin Random House

O comunicado divulgado hoje também especifica que a Pearson e o Bertelsmann não poderão vender suas participações na Penguin Random House durante um período de três anos. Em 2011, a Random House registrou um faturamento de US$ 2,2 bilhões (R$ 4,4 bilhões) e um lucro operacional de US$ 240 milhões (R$ 486 milhões), enquanto o faturamento da Penguin foi de 1,6 bilhão (R$ 3,2 bilhões) e seus lucros operacionais de US$ 178 milhões (R$ 360 milhões).

A diretora-executiva da Pearson, Marjorie Scardino, que abandonará o grupo no final do ano, disse hoje que a Penguin é uma editora de êxito e "uma parte muito querida" do grupo. "Esta combinação com a Random House, uma companhia que casa quase que perfeitamente com o modelo e o compromisso de editora de excelência da Penguim, melhorará sua fortuna e suas oportunidades", declarou Marjorie, que completou que as duas editoras poderão compartilhar os custos e o investimento no favorável mundo digital.

Por sua parte, o presidente e executivo-chefe do grupo Bertelsmann, Thomas Rabe, destacou as oportunidades de crescimento para as duas partes, além das "novas oportunidades aos escritores, agentes literários e leitores". 

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