Há 120 anos nascia Graciliano Ramos, autor de "Vidas Secas"

Homenageado da Flip em 2013, autor tem sua obra marcada por um forte teor social

iG São Paulo |

Apesar de atuar nos campos do jornalismo, da educação e da política, foi como romancista que Graciliano Ramos entrou para a história do Brasil. Suas obras, conhecidas principalmente pelo forte teor social, refletem não apenas as mazelas do País, como as implicações éticas da escrita. O escritor completaria 120 anos neste sábado (27).

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O escritor alagoano Graciliano Ramos

Nascido em Quebrangulo, no estado de Alagoas, Graciliano Ramos de Oliveira viveu em diversos lugares do Nordeste até fixar-se em Palmeira dos Índios. Aos 35 anos, tornou-se prefeito da cidade, renunciando dois anos mais tarde.

Graças aos relatórios emitidos em sua passagem pela política, foi estimulado pelo editor carioca Augusto Frederico Schmidt a publicar "Caetés" (1933), seu trabalho de estreia – que viria a se tornar ganhador do prêmio Brasil de literatura.

Reprodução
O escritor Graciliano Ramos

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Acusado de ter participado do levante conhecido como Intentona Comunista de 1935, Graciliano foi enviado ao Rio de Janeiro, onde esteve preso pelas forças da ditadura de Getúlio Vargas. Nesse período lança "Angústia" , considerado pelo autor um de seus melhores trabalhos.

Após ser libertado, Graciliano encontrou trabalho em alguns jornais do Rio de Janeiro, pouco antes de lançar aquele que seria seu livro mais celebrado, "Vidas Secas" (1938). A obra, que retrata a vida desumana de uma família de retirantes do sertão brasileiro, se tornaria emblemática em sua carreira.

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"Em 'Vidas Secas' Graciliano foca no Nordeste, onde as relações do campo são mais brutais, grosseiras. Mas os conflitos presentes no livro estão também em outros tipos de relação e até mesmo nas cidades”, disse a professora Belmira Rita da Costa Magalhães em entrevista ao iG.

Nomeado inspetor federal do ensino secundário na capital fluminense, publicou em 1939 a história infantil "A Terra dos Meninos Pelados", que viria a ganhar o prêmio Literatura Infantil, do Ministério da Educação.

Graciliano Ramos adoeceu gravemente em 1952 e morreu em 20 de março de 1953, aos 60 anos, vítima de câncer do pulmão. No mesmo ano foi lançado "Memórias do Cárcere", obra em que revela sua amarga experiência no período em que esteve preso. O livro é o primeiro de oito trabalhos póstumos publicados, entre estes "Alexandre e Outros Heróis" (1962) e "Cartas a Heloísa" (1992).

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O escritor será o homenageado da 11ª Flip , a Festa Literária Internacional de Paraty, que será realizada entre os dias 3 e 7 de julho de 2013. Nos anos anteriores os escolhidos foram Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Jorge Amado, Nelson Rodrigues, Machado de Assis, Manuel Bandeira, Gilberto Freyre e Oswald de Andrade.

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