"A literatura infantil só vale a pena quando é libertadora"

Jornalista Edison Veiga lança neste sábado o livro "O Menino que Sabia Colecionar"; leia entrevista

iG São Paulo |

Após se aventurar na poesia, história e romance, o jornalista e escritor Edison Veiga lança neste sábado (dia 1º), às 16h, na Livraria Martins Fontes (av. Paulista, 509), em São Paulo, seu primeiro livro infantil.

Em "O Menino que Sabia Colecionar" (Panda Books), Edison conta a história de Nardinho, um menino de sete anos que coleciona coisas incomuns, como palavras, madrugadas, orvalhos, estrelas, lágrimas e nuvens. A partir dessa "coleção de impossíveis", como diz seu amigo João, o menino demonstra seu encantamento com a vida e com o mundo, amparado pelos desenhos da ilustradora Sandra Jávera.

Em entrevista ao iG , Edison contou como surgiu a ideia do livro, quais obras marcaram sua infância e o cuidado ao escrever literatura infantil.

iG: O que vem primeiro: a ideia de fazer um livro infantil ou uma história que virou um livro infantil?
Edison Veiga: A ideia veio primeiro. Alguns anos antes, até. Não sabia que conseguiria escrever um livro infantil, na verdade. Mas tinha uma ideia pronta, martelando na cabeça, insistente, renitente, sobre um sujeito que colecionava enquantos. Quando fui botar no papel, a coisa foi nascendo como que para criança. Aí percebi que podia escrever uma história lúdica, cheia de elementos do imaginário infantil. E me lembrei de quando, criança eu mesmo, adorava viajar em meus devaneios puros e pueris. O que seria um conto ou até um novo romance, virou uma história infantil. E eu, perigosamente, gostei.

iG: Há uma preocupação maior ao escrever para crianças?
Edison Veiga: Sem dúvida. Acredito que a literatura infantil só vale a pena quando é libertadora, quando mostra para as crianças que não há limite para a imaginação, para os sonhos, para a criatividade. E escrever para criança é de uma responsabilidade imensa! Estou escrevendo para quem está em fase de moldar o caráter... Nada pode ser mais importante do que isso.

Mariana Veiga/Divulgação
"Desde criança sempre fui fascinado por palavras de som bonito", diz Edison Veiga

iG: Quais são os livros infantis que marcaram a sua infância?
Edison Veiga: Aos 8 anos, devorei toda a coleção do "Sítio do Picapau Amarelo". Eu era freguês assíduo da Biblioteca Municipal de Taquarituba, minha cidade natal, onde vivi até os 17 anos. Mas há outros títulos e autores que também me marcaram muito. "Flicts" e "O Menino Maluquinho", do Ziraldo , por exemplo. "Surilea-mãe-monstrinha", de Eva Furnari. "Marcelo, Marmelo, Martelo", da Ruth Rocha.

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iG: O que você tem do Nardinho?
Edison Veiga: Bom, de cara acho que vale lembrar de uma informação implícita: Nardinho é apelido de Ronaldo, porque Ronaldo, em "caipirês", vira Ronardo, que vira Nardo, que vira Nardinho. Sou caipira, nasci em Taquarituba, tenho os pés vermelhos (risos). Mas isso não importa. É claro que a obra é ficção, completamente. Mas, quando criança, adorava minhas coleções: de selos, de tampinhas de garrafa, de pedras, de gibis, de conchas, de bolinhas de gude. E, bom, vale lembrar que a primeira - e mais importante - coleção do Nardinho é de palavras, não é? Desde criança sempre fui fascinado por palavras de som bonito. Gostava de usá-las, por mais estranhas que fossem.

iG: Como foi o contato com a ilustradora Sandra Jávera? Você dizia o que queria ou ela escolheu quais partes desenharia?
Edison Veiga: Ela foi contratada pela editora Panda Books. Eu nem sequer a conhecia. Ela teve total liberdade para criar, a partir de meu texto. E eu achei que seria mesmo melhor assim, porque qualquer interferência poderia limitar o trabalho da ilustração. No fim, achei o resultado formidável.

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