"O Amor nos Tempos do Cólera", de García Márquez, chega à China

Obra, que só havia sido publicada no país em versões piratas, ganha sua primeira edição oficial em mandarim

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O escritor colombiano Gabriel García Márquez

A primeira versão autorizada em mandarim de "O Amor nos Tempos do Cólera", um dos mais famosos romances do escritor Gabriel García Márquez, chegou finalmente à China, um mercado em que durante anos circularam versões ilegais de muitas obras do Nobel de Literatura colombiano.

A professora de espanhol Yang Ling foi encarregada da tradução da obra, de 1985, publicada pela editora Thinkingdom e lançada nesta segunda-feira na estatal Academia Chinesa de Ciências Sociais, em Pequim.

"Com o livro, cada um pode reencontrar seu próprio sentimento do 'primeiro amor' e García Márquez aparece como um homem real, de carne e osso, e sentimos profundamente o que ele sente", descreveu Yang ao comentar a obra célebre, sua primeira tradução de um romance latino-americano.

A professora acrescentou que enquanto "Cem Anos de Solidão" pode ser definido como um livro escrito com "a caneta de Deus", em "O Amor...", "Márquez se revela como Jesus: com um lado humano e um lado divino".

"O que mais me impressionou foi o amor. É um tipo de amor diferente. Os chineses não falam tanto disso porque geralmente somos mais tímidos. García Márquez fala muito do amor. O amor que está em seu livro me comoveu muito. E acaba nos mostrando que é a coisa mais importante da vida e que sem ele não podemos viver", refletiu Yang.

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Chen Zhongyi, pesquisador de Filologia Hispânica da Academia de Ciências Sociais da China e que traduziu "Gabo" nos anos 1980, elogiou a tradução lançada hoje e afirmou que "no plano de fundo há muito da história da sociedade (colombiana), mas o mais importante é a imaginação e o estilo de García Márquez".

Por sua vez, a diretora do Instituto Cervantes de Pequim (organismo que colabora com a editora do livro), Inmaculada González, opinou que a nova tradução é admirável porque durante muitos só se conheciam na China edições não reconhecidas nem por "Gabo" nem por seu agente.

"É um grande passo adiante e também representa um novo momento da situação editorial na China, que cada vez adquire mais direitos de autores estrangeiros e também certamente significa que cada vez serão traduzidos mais autores chineses", opinou González.

Em 1990, o Nobel de Literatura colombiano chamou os chineses de "piratas" ao descobrir que suas obras eram traduzidas sem autorização, e reza a lenda entre os hispanistas chineses que afirmou que "nem 150 anos após sua morte autorizaria".

Com o protocolo de 1991 do Convênio de Berna para a Proteção das Obras Literárias e Artísticas, editoras chinesas, primeiro estatais e depois privadas, tentaram adquirir os direitos da obra prima do realismo mágico latino-americano, mas consideraram muito alto o preço que Carmen Balcells, agente de "Gabo", havia estabelecido.

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