Cartunista dá conselhos para quem busca por sexo pago

Autor da HQ "Pagando Por Sexo", Chester Brown conversa com o iG sobre suas experiências com prostitutas

iG São Paulo |

Quando estava próximo de completar 40 anos, o cartunista canadense Chester Brown decidiu arriscar-se no mundo do sexo pago. O motivo, de acordo com sua graphic novel, "Pagando Por Sexo" (Martins Fontes), foi a conclusão de que o amor romântico não é benéfico por implicar em uma "monogamia possessiva".

Hoje, doze anos após essa mudança de estilo de vida, as aventuras de Chester podem ser lidas nas 296 páginas de sua HQ. Em seus quadrinhos, o leitor acompanha desde o início de sua jornada, como os dilemas de quem nunca havia procurado pelo serviço de uma garota de programa, até as teorias sustentadas pelo autor sobre a legalização da "profissão mais antiga da humanidade".

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O cartunista canadense Chester Brown

Em conversa com o iG , Chester falou sobre o impacto que "Pagando Por Sexo" teve em sua vida e deu dicas para quem busca por sexo pago pela primeira vez.

iG: Quando você decidiu deixar de ser o autor para se tornar personagem de uma história?
Chester Brown: Eu quis trabalhar com quadrinhos autobiográficos porque vi outros cartunistas fazendo isso e percebi que suas histórias reais eram mais interessantes que as fictícias.

iG: O que as prostitutas com quem você sai disseram sobre o livro?
Chester Brown: Atualmente a única pessoa que eu pago para fazer sexo é a mencionada no final do livro, "Denise", e ela gostou. Sei que ela concorda com minha posição sobre a descriminalização da prostituição. No ano passado eu fiz uma breve leitura em uma organização de auxílio às prostitutas. A plateia era formada quase que apenas por garotas de programa e elas me amaram. Esse foi o público mais receptivo que encontrei. Depois da leitura muitas vieram me dizer o quanto gostaram da história.

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Capa de "Pagando Por Sexo"

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iG: Já soube de algum amigo que resolveu se arriscar com o sexo pago após ler suas experiências?
Chester Brown: Tenho amigos que saem com prostitutas, mas antes do livro ser lançado. Me recordo de um amigo dizer que achava moralmente errado um homem sair com garotas de programa. Nessa época eu havia começado a pagar por sexo e ele não sabia. Eu discordei dele e revelei que saía com prostitutas. Na mesma hora ele revelou que fazia o mesmo e que aquela não era sua opinião verdadeira. Acho que eu deveria ter colocado isso no livro.

iG: No livro você discute muito sobre prós e contras da regularização da prostituição. Existe algum exemplo no mundo a ser seguido?
Chester Brown: Nunca ouvi falar de um país que acertou a forma de lidar com o sexo pago. Em minha opinião, o que acontece de forma consentida, entre adultos e dentro de quatro paredes, não é da conta do governo - estando dinheiro envolvido ou não. Legalmente, sexo pago deveria ser tratado da mesma forma que o sexo não pago. Não há necessidade de uma regulamentação para o sexo pago. E certamente não há motivo para que as prostitutas precisem de licença para trabalhar.

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Página de "Pagando Por Sexo"

iG: Pelo que você mostra no livro, os encontros com as prostitutas ocorrem em longos intervalos. Você não sente falta de ter alguém por mais tempo?
Chester Brown: Tenho amigos que estão presentes sempre que preciso e um deles é a mulher a quem pago por sexo, "Denise". Alguns anos atrás, eu estava com dores nas costas - mal conseguia me levantar - e "Denise" se ofereceu para ficar comigo e me ajudar. Em outra ocasião, o prédio em que moro ficou sem água por dias e ela ofereceu sua casa para que eu pudesse tomar banho a qualquer hora. Por outro lado, ela já pediu a minha ajuda para mudar alguns móveis pesados de lugar. Quando digo que somos amigos, isso significa que eu estou disposto a fazer mais do que apenas dar dinheiro para ela, e ela está disposta a fazer mais do que apenas sexo pago comigo.

iG: Já está trabalhando numa outra história?
Chester Brown: Ainda não dei início a nada e também não decidi o tema do meu próximo trabalho. Tenho duas possibilidades em mente: uma HQ histórica ou uma sobre os abusos de poder feitos pelo governo do Canadá atualmente. Nenhum dos dois é focado em sexo.

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Dicas de Chester Brown para quem busca por sexo pago pela primeira vez:

- Nunca pechinche o preço . Aqui no Canadá as prostitutas não gostam quando você tenta abaixar o preço. Mesmo se você conseguir convencer uma delas a fazê-lo, ela vai ficar ressentida e provavelmente sua experiência não será tão agradável quanto poderia. Suas chances de passar por uma boa experiência será maior se você demonstrar generosidade de coração.

- Tome um banho . Isso pode parecer obvio, mas pelo que ouço por aí muitos caras não se lavam corretamente. Eu tomo um banho um pouco antes de cada encontro - além de usar desodorante, escovar os dentes e me barbear.

- Tenha sempre camisinhas . A maioria das prostitutas carrega preservativos. Mas, como você pode conferir na página 115 do meu livro (que também está reproduzida na capa), às vezes elas esquecem. Por isso eu sempre levo as minhas camisinhas.

- Meu conselho mais importante relacionado a sexo não tem ligação direta com as prostitutas: Nunca se case!

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