Brasil celebra obra de Jorge Amado em seu centenário

Homenagens ao escritor, que completaria cem anos nesta sexta (10), incluem shows, debates e lançamentos de livros

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As comemorações pelo centenário de Jorge Amado chegam ao seu ponto máximo nesta sexta-feira (10), dia em que o mais internacional dos escritores brasileiros completaria 100 anos, efeméride que pôs em destaque a monumental obra do filho predileto da Bahia.

Várias homenagens foram realizadas durante o "Ano de Jorge Amado", que começou em 2011, quando foram completados dez anos da morte do autor, nascido em 10 de agosto de 1912, em Itabuna, e falecido em 6 de agosto de 2001, em Salvador.

"Escrever é transmitir vida, emoção, o que conheço e o que sei, minha experiência e minha forma de ver a vida", disse uma vez o escritor, que elevou à categoria de lendas as histórias das plantações de cacau da Bahia, onde nasceu e produziu sua obra.

Para celebrá-lo, a escola de samba Imperatriz Leopoldinense apresentou um desfile sobre sua vida no último carnaval carioca, e sua neta Cecília Amado levou ao cinema a obra "Capitães da Areia" , que foi lançada em outubro e se apresentou em abril no Festival de Cinema Latino de Chicago (EUA).

Também foram reimpressas diferentes edições de seus romances mais famosos e houve o lançamento de livros inéditos em sua homenagem, como o que apresenta as cartas entre Jorge Amado e a também falecida escritora Zélia Gattai, sua esposa durante 56 anos.

Além disso, a Rede Globo transmite atualmente a nova versão de "Gabriela" , minissérie baseada no livro "Gabriela, Cravo e Canela", publicado de 1958.

Diferentes artistas se somaram à festa com novas músicas e montagens de peças inspiradas no fantástico mundo criado pelo autor de obras como "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1966) e "O País do Carnaval" (1931), seu primeiro romance.

As iniciativas para homenagear o autor foram tantas que para organizá-las foi constituída uma comissão especial integrada por seus familiares e por representantes da Fundação Casa de Jorge Amado, da Academia Brasileira das Letras (ABL), da qual foi membro durante 40 anos, e da editora Companhia das Letras, dona dos direitos de seus livros.

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A ABL e a fundação que leva seu nome celebrarão ao longo da próxima semana, em Salvador, o "Curso Jorge Amado 2012", um colóquio do qual participarão estudiosos de sua obra para apresentar suas pesquisas e teses sobre o escritor.

Também acontecerá em Salvador nesta sexta-feira a apresentação do "Concerto ao Amado Amar", um espetáculo que mistura música popular e erudita e inclui composições do próprio Jorge Amado, músicas em sua homenagem e temas de telenovelas e filmes baseados em suas obras.

A Fundação Casa de Jorge Amado ainda lançará o livro "Jorge Amado e a Sétima Arte", que reúne relatos de cineastas e atores que levaram suas histórias à telona.

No entanto, as principais celebrações foram realizadas em Ilhéus, cidade do sul da Bahia onde transcorrem as picantes histórias de "Gabriela, Cravo e Canela" e de outros romances seus, e que conserva construções coloniais eternizadas em seus relatos, como o antigo bordel Bataclan e o Bar Vesúvio.

Para preservar o legado do romancista que imortalizou a cultura do cacau, os personagens e a idiossincrasia de Ilhéus, as autoridades municipais promoveram o projeto "Amar Amado", que inclui seminários, shows de música, teatro e dança.

Ilhéus também foi cenário de concertos de músicos como Caetano Veloso, Moraes Moreira, Margareth Menezes e Família Caymmi, todos com interpretações relacionadas ao romancista.

Os 100 anos do nascimento do autor coincidem com a Bienal do Livro de São Paulo , que lembrará a data com leituras de textos do escritor, conferências sobre sua obra e uma apresentação da culinária baiana, sempre presente na prolífica literatura de Jorge Amado, um amante da boa mesa.

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