Na era dos e-books, autores são incentivados a escrever mais

Editoras pedem a escritores que, além de romances, façam contos para atrair novos leitores

The New York Times |

Durante anos, a agenda de escritores especialistas em mistérios, suspenses e romances se constituía de escrever um livro por ano, algo que não era apenas considerado suficiente mas também produtivo.

Mas os e-books têm acelerado o metabolismo da publicação de livros. Os autores estão trabalhando o dobro do que antigamente, escrevendo contos, romances ou até mesmo trilogias em menos tempo.

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Demonstração de uso de eBook na feira de livros de Frankfurt

Eles estão tentando satisfazer leitores impacientes, que se acostumaram com a rapidez de poder baixar qualquer e-book de sua preferência apenas com o simples toque de um botão e os editores os estão incentivando para que tenham uma maior produtividade com o intuito de que quanto mais os autores estiverem expostos ao público, mais popularidade terão.

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"Antigamente, um lançamento por ano era bastante coisa", disse Lisa Scottoline, autora de best-sellers de suspense. "Você corria o risco de saturar o mercado caso lançasse mais obras. Mas hoje estamos expostos à uma cultura diferente e se você quer sobreviver, tem que se adaptar à ela."

Scottoline tem aumentado sua produção de um livro por ano para dois, algo que ela consegue atingir através de uma nova rígida disciplina de trabalho: normalmente, ela escreve mais de 2.000 palavras por dia, sete dias por semana, a partir das 9h e sem hora para parar, explicou.

O escritor de suspenses britânico Lee Child, que criou a personagem de Jack Reacher, recentemente criou complementos para seus livros de capa dura com contos que são publicados em formato digital, uma estratégia cada vez mais utilizada para chamar a atenção da eventual publicação de um futuro romance.

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Os editores disseram que um conto cuidadosamente lançado, programado para sair de seis a oito semanas antes da publicação do romance, pode atrair novos leitores que poderiam estar dispostos a pagar US$ 99 centavos em um conto, mas que relutam em gastar US$ 14 em um novo e-book ou US$ 26 em um livro de capa dura.

Isso pode resultar em mais pré-vendas do livro e até mesmo na melhoria de vendas de publicações mais antigas do autor, que são consideradas facilmente acessíveis como compras por impulso via e-books para os consumidores que possuem aparelhos Nook ou Kindle.

Jennifer Enderlin, a editora da St. Martin Paperbacks, disse que a estratégia tinha funcionado muito bem para muitos dos seus autores, que viram um aumento nas vendas de seus títulos publicados em capa dura uma vez que começaram a lançar cada vez mais livros por ano.

"Eu sinto pena do que as editoras estão fazendo com os autores", disse Enderlin. "Nós ultimamente lhes perguntamos: 'Que tal escrever um romance curto para vendermos por US$ 0,99?'."

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