Livro reúne peças da dramaturga Leilah Assumpção

Onze trabalhos escritos pela autora ao longo de 40 anos de carreira

AE |

"Leve. Ficou muito leve", comemora Leilah Assumpção, jogando o livro de um lado para o outro. "Acho que vai dar até para ler na cama." Para desavisados, pode mesmo parecer estranho que a dramaturga consiga achar delgado um calhamaço de mais de 600 páginas. Mas, se considerarmos o conteúdo da obra - 11 peças, escritas ao longo de 40 anos de carreira, dá até para entender o espanto de Leilah. "Imaginava que o livro sairia tão imenso que seria mais uma obra de pesquisa, para estudantes de teatro. Mas, acho que vamos conseguir vender para o público também."

Com lançamento marcado para hoje, o volume reúne desde seu primeiro texto, Vejo um Vulto na Janela, Me Acudam Que Eu Sou Donzela , criado ainda sob o impacto do golpe militar, em 1964, até o trabalho mais recente, Ilustríssimo Filho da Mãe , de 2008. A única peça a ficar de fora da seleção foi Seda Pura e Alfinetadas , concebida sob encomenda para Clodovil. "O texto até fez bastante sucesso na época", ela explica. "Mas a intenção era dar ao livro uma coerência, revelar a minha temática."

É difícil falar no teatro de Leilah sem ligá-lo à revolução feminista que se insinuava nos anos 60. A mulher que recusava o lugar de esposa, que assumia o próprio desejo, adquiria voz e revia sua relação com o sexo oposto. Todas essas são nuances quase onipresentes em seus textos e, não por acaso, sua dramaturgia é saudada como retrato de uma geração. "[A peça] Fala Baixo, Senão Eu Grito fez mais pelo feminismo do que qualquer passeata ou queima de sutiã", definiu Ilka Marinho Zanotto, no Dicionário do Teatro Brasileiro.

Foi com a história da solitária Mariazinha, uma mulher despertada do seu estado de anestesia por um ladrão, que a autora seria descoberta. Ainda hoje seu trabalho mais conhecido, o texto mereceu dezenas de montagens, aqui e no exterior, e também serviria para revelar o talento dramático de Marília Pêra.

Onze Peças de Leilah Assumpção - Livraria Cultura (Av. Paulista, 2.073). Tel. (011) 3170-4033. Hoje, às 18h30. Preço: R$ 49.

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