Justiça francesa suspeita de obras que Picasso deu para motorista

Promotoria abriu investigação sobre procedência dos quadros; testemunha garante que obras foram roubadas

EFE |

Divulgação
Pablo Picasso pintando
A promotoria francesa suspeita do legado de Pablo Picasso a seu motorista, Maurice Bresnu, e abriu uma investigação que se soma a outra que busca esclarecimentos sobre supostos presentes que o pintor deixou para seu eletricista, Pierre le Guennec.

Uma das testemunhas interrogadas pela polícia francesa reconheceu que "quase tudo que Bresnu tinha de Picasso havia sido roubado", revelou nesta segunda-feira (27) o jornal "Le Parisien". Bresnu possuía cerca de 200 obras cuja procedência é analisada pelos serviços policiais encarregados da luta contra o tráfico de bens culturais, duas semanas depois de a Justiça acusar o ex-eletricista de Picasso por suspeitas semelhantes.

A testemunha, que trabalhou para Bresnu durante 22 anos, afirmou à Polícia que Maurice e Jacqueline Bresnu "nunca esconderam seus furtos", e disse saber tudo sobre a procedência dos quadros: as datas, os fatos e as pessoas envolvidas.

No decorrer de um interrogatório de mais de seis horas, o ex-empregado dos Bresnu - Maurice morreu em 1991 e Jacqueline em 2008 - qualificou seus antigos patrões de "os maiores ladrões da França contemporânea", e não escondeu sua aversão aos suspeitos, a quem também acusa de ficarem devendo mais de 80 mil euros a ele.

Apesar de alguns quadros serem dedicados pessoalmente a "Nounours", apelido carinhoso com o qual Picasso chamava seu motorista, muitas das obras sequer estão assinadas pelo artista - o que dificulta o trabalho da Polícia.

A investigação sobre Le Guennec, de 71 anos, começou logos após o próprio procurar a família de Picasso em 2010 em busca de ajuda para avaliar um lote de 271 obras inéditas do pintor espanhol que tinha em seu poder.

A promotoria decidiu estender as investigações às posses de Bresnu, após descobrir que o antigo eletricista é um dos seis herdeiros do motorista, além de ser primo de Jacqueline. A venda das obras do motorista, prevista para dezembro do ano passado, está paralisada até o esclarecimento das dúvidas sobre sua procedência.

    Leia tudo sobre: picassoarte

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG