John Malkovich estrela espetáculo com ironia e até caminha pela plateia

Ator norte-americano estrelou "Confissões de um Serial Killer" no Teatro Municipal de São Paulo no domingo (dia 6)

Dênis Victorazo, especial para o iG |

Divulgação
John Malkovich em "Confissões de um Serial Killer"
O ator americano John Malkovich, 58 anos, duas vezes indicado ao Oscar e conhecido por suas interpretações no cinema em filmes como "Quero Ser John Malkovich" (1999), "Ligações Perigosas" (1988) e "O Império do Sol" (1987), passou pelo Brasil com o espetáculo "The Infernal Comedy – Confissões de um Serial Killer", acompanhado de orquestra e duas sopranos.

Sua última apresentação no Brasil (depois de passar pelo Rio na quarta-feira, dia 2, e em Salvador no dia 3) se deu em São Paulo no domingo (6), em um Teatro Municipal recém-reformado, para um público que variava entre artistas consagrados e pessoas que pareciam visitar o belo "Theatro" pela primeira vez.

Em cena, o carismático ator fala com o público em primeira pessoa, na pele do austríaco Jack Unterweger, assassino confesso de prostitutas, que diz perder a cabeça pelas mulheres.

Encarando a todos com tranquilidade e muita ironia, em alguns momentos caminhando pela plateia, o personagem tenta vender o livro onde conta a sua história.

Jack, que teve uma infância conturbada e vivia entrando e saindo de abrigos para menores infratores, depois do primeiro assassinato foi catapultado a um outro patamar como criminoso, virando uma celebridade. As pessoas queriam ler seus poemas, queriam falar com ele. Muitas mulheres queriam transar com ele!

Por essa transformação em sua vida depois de se tornar assassino, Jack diz que "Não poderia me arrepender".

John Malkovich é um ator de personalidade e está muito bem no papel, mas este é um espetáculo que ele faz com tranquilidade, sem muito esforço dramático. Não tem nenhuma grande catarse, nenhuma cena memorável como as que estamos acostumados a vê-lo fazer nos filmes.

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Com ironia e humor, ele compensa a decepção que segue até quando o momento mais empolgante, em que se imagina que o personagem vai se suicidar em cena, não se concretiza. A música é uma parte importante do espetáculo, e muita gente que estava lá exclusivamente para ver um ator de cinema acabou vendo ária de ópera.

Se John Malkovich teve a mesma vontade eu não sei, mas muitas pessoas no teatro tiveram ímpeto de matar quem fotografava e filmava a apresentação, sem nem ao menos tirar o som das câmeras e celulares, mesmo em momentos em que a música era suave. Onde estavam os funcionários do teatro?

Depois do espetáculo, John Malkovich estava sentado em uma van, de portas abertas, em frente à saída dos artistas que fica nos fundos do Teatro. Lia tranquilamente as mensagens de seu celular. Mas, aí, sem incomodar ninguém.

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