Jogando videogame para ganhar a vida

Classificador de jogos eletrônicos divide tempo entre videogames e relatórios burocráticos

Severino Motta, iG Brasília |

Com 23 anos de idade, Rafael Vilela é o mais jovem entre os classificadores do Ministério da Justiça. Formado em Relações Internacionais e fluente na língua japonesa, trabalha com algo que é sua paixão desde criança: os videogames.

Fellipe Bryan Sampaio/iG
O mais jovem entre os classificadores do Ministério, Rafael Vilela tem 23 anos e cuida dos games
Seu dia é dividido entre partidas com os colegas funcionários do Ministério e a produção de relatórios sobre cada um dos jogos. Apesar da idade, alega que começou a vida nos games com o Atari, depois disso passou por diversos consoles dos anos 1980 e 1990. Nos anos 2000 começou a gostar de portáteis. “Tive todos os gameboys. Hoje tenho videogame em casa, mas prefiro os portáteis, pois posso jogar em qualquer lugar”.

Nos últimos dias está preocupado com a reforma da sala onde os games são avaliados. Com a chegada dos sensores de movimento, suas antigas instalações ficaram pequenas. Está numa sala improvisada no quinto andar do anexo do Ministério, no mesmo andar da Guarda Nacional.

“Às vezes os militares entram aqui e parecem não entender o que está acontecendo. Dão uma olhada e vão embora”, contou.

Questionado sobre ganhar a vida jogando videogame, evitou falar de sua própria experiência para falar um pouco sobre o departamento de classificação. “Foram abertas duas vagas para estágio aqui. Tivemos 110 inscrições, e o salário do estagiário é de uns R$ 500. Então aqui é tão disputado quanto uma faculdade de medicina”.

Além de jogar “até quando se tem uma ideia clara sobre a idade do jogo”, alguns games são avaliados a partir de um vídeo enviado pelo distribuidor. Sem esconder sua preferência por testar os produtos, Rafael diz que o mais difícil em seu trabalho é convencer o setor de licitações do Ministério sobre as necessidades de sua área.

“Para rodas alguns jogos, precisamos ter computadores de última geração. É difícil explicar para o pessoal da licitação que precisamos trocar de computador a cada ano”.

As dificuldades não param por aí. Outra compra que quase sempre apresenta problema é a dos videogames. “Quando pedimos um Nintendo DS, eles nos questionam por que tem que ser da Nintendo e não um ‘DS’ genérico. Acontece que o DS é um produto da Nintendo e só ele vai aceitar os jogos do Nintendo DS”. Sobre esse aparelho em particular, Rafael conta que foram dois meses de negociação até o setor de licitações liberar a compra para o teste de jogos.

Sobre a classificação dos games, o funcionário disse que nos Estados Unidos há casos de jogos indicados para maiores de 18 anos pela presença de sensualidade, “até um decote feminino pode aumentar a faixa etária, o que não acontece no Brasil”. Por aqui, contou, a violência é mais pesada na hora de levar um jogo para a idade mínima de 18 anos.

Fellipe Bryan Sampaio/iG
Consoles e videogames na sala de classificação

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