Intelectuais e políticos despedem-se de Saramago

Escritor, único Nobel de Literatura da língua portuguesa, morreu na sexta-feira aos 87 anos

iG São Paulo com EFE e BBC |

AP
Escritor José Saramago é velado em Lisboa
Intelectuais e políticos de Portugal e Espanha despediram-se hoje de José Saramago em um funeral no salão de honra da Prefeitura da capital lusa, carregado de emoção e evocações ao Nobel e a sua riqueza literária e humana. "Obrigado José Saramago" disse o prefeito de Lisboa, Antonio Costa, ao agradecer, no início do ato, a marca que deixa em seu país e no mundo um escritor ao qual definiu como um apaixonado de Lisboa.

Para a primeira vice-presidente do Governo espanhol, María Teresa Fernández de la Vega, que também falou durante o ato, as páginas de ilusões, sonhos e também compromissos escritas por Saramago fazem parte dos tesouros da cultura universal, que fica órfã de uma voz "muito humana e muito digna".

Enquanto centenas de pessoas acompanhavam a cerimônia por um telão instalado na fachada da Prefeitura, o ensaísta e professor Carlos Reis, o secretário do Partido Comunista Português, Jerónimo de Sousa, e a ministra da Cultura portuguesa, Gabriela Canavilhas, evocaram também ao "mestre e amigo Saramago".

EFE
Saramago é o único escritor da língua portuguesa a obter o prêmio Nobel de Literatura
Sua mulher, Pilar del Río, sua filha Violante, junto dos dois netos do escritor assistiram emocionados ao ato, que concluiu com a interpretação de uma peça de Bach ao violoncelo e ao que assistiu também, entre outras autoridades e personalidades, o primeiro-ministro português, José Sócrates.

"Saramago é um grande artista português, um grande escritor português e um homem muito mais popular do que muitos pensam. É um homem não apenas conhecido pela sua obra junto dos meios intelectuais, mas é um escritor que deixa uma marca e uma impressão muito profunda na alma portuguesa", disse o primeiro-ministro durante o velório.

Também foram prestar homenagem a Saramago o ex-presidente português Mário Soares e a candidata do PT à Presidência Dilma Rousseff. Muitos populares levaram cravos vermelhos ao velório, símbolo da revolução de 1974 que trouxe a democracia de volta a Portugal. Entre as centenas de coroas de flores, estava uma do líder cubano Fidel Castro e outra de seu irmão, o presidente de Cuba, Raúl Castro.

Após o velório, o corpo de Saramago foi levado ao cemitério do Alto de São João, também em Lisboa, onde foi cremado. Milhares de pessoas assistiram à cerimônia batendo palmas e de punhos para o ar. Segundo a família do escritor, suas cinzas serão levadas depois para sua cidade natal, Azinhaga, na região central do país, e para sua casa na ilha espanhola de Lanzarote, onde serão enterradas junto a uma oliveira.

Aos 87 anos, Saramago morreu de falência múltipla dos órgãos, em decorrência de uma leucemia, depois de ter passado por diversas internações nos últimos três anos. Em 2009, ele havia passado quatro meses internado em um hospital em Lanzarote, onde morava desde 1993.

Saramago deixou um livro inacabado, um romance sobre o tráfico de armas cujo título é Alabardas, Alabardas! Espingardas, Espingardas! , um verso do poeta e dramaturgo Gil Vicente. Após Caim (2009), o escritor iniciou o novo romance, que começou em bom ritmo mas acabaria ficando paralisado pela insatisfação do escritor com o título - ele costumava bolar os títulos antes de escrever os textos. Segundo comentou a seus amigos, o romance estava dando mais trabalho que os anteriores.

Veja abaixo imagens do velório de Saramago:

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