Intelectuais e diretores de TV debatem novelas na ABL

Academia Brasileira de Letras sedia encontro para discutir literatura nas telenovelas brasileiras

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Léo Ramos
Intelectuais e diretores de TV debatem se novela é uma forma de literatura, na ABL, Rio
Novela é uma forma de literatura? A questão dominou o debate “Telenovelas, séries televisivas e literatura”, na tarde desta quinta-feira (26), na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro.

Para Muniz Sodré, teórico em Comunicação e presidente da Fundação Biblioteca Nacional, a novela é uma derivação de outras formas literárias e, por isso mesmo, também deve ser considerada literatura. “O público de novela quer a mesma coisa que o leitor dos romances escritos antes de 1800, quer se divertir”, afirma Sodré.

Walcyr Carrasco, que já adaptou para a TV Globo o clássico de Shakespeare “A Megera Indomável”, sob o título da novela “O Cravo e a Rosa”, acredita que literatura e novela dialogam entre si. “Literatura é profunda, tem seu tempo de preparo. Não creio que novela seja uma forma de literatura. Mas esta comunicação é permanente. E por dialogar com a literatura, a novela contribui muitíssimo para a educação da sociedade também”, afirma.

Outro novelista, Gilberto Braga, não concorda com o colega. “Não posso imaginar que novela não seja literatura. Se cordel é, se literatura oral é, novela também é”, disse ele, que já adaptou para a TV “Senhora”, de José de Alencar, “O primo Basílio”, de Eça de Queiroz, entre outros clássicos literários. José Wilker, também presente ao encontro, reafirma o poder da novela como comunicação de massas. “Quando eu fazia teatro e percorria o Brasil, tinha convicção que em breve o País iria se dividir em outros quatro países diferentes. Tempos depois, já fazendo novela, pude perceber que somos um país só. E tenho certeza de que esta unificação de identidade, em parte, se deve e muito à novela”, afirma o ator.

Já Ignácio Coqueiro, diretor de teledramaturgia da TV Record, este diálogo tende a se acentuar cada vez mais, com o advento de novas tecnologias. “O cara na rua, com o celular, além do sujeito que está em casa em frente à TV e o outro no computador, tendem a ficar mais próximos, num só produto. A idéia de futuro passa por englobar os três tipos de ferramentas, a novela vai ter que chegar aos três sujeitos, em diferentes meios”, projeta o diretor.

Léo Ramos
Walcyr Carrasco, autor da novela ¿O Cravo e a Rosa¿, uma livre adaptação do clássico ¿A Megera Indomável¿, de Shakespeare

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