iG Recomenda - El Guincho, Neil Young, Crumb, Julio Cortázar

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Cena do clipe "Bombay, de El Guincho
"Bombay" - El Guincho

Na música pop, nada como uma melodia redonda, vocal delicioso. É isso o que nos dá El Guincho, nome de guerra do espanhol Pablo Díaz-Reixax, na faixa "Bombay", cujo vídeo já está circulando pela net. A voz do músico combina perfeitamente com o ritmo dançante e percussivo da música. E o vídeo é tão viciante quanto. (Thiago Ney)

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Capa do álbum "Le Noise", de Neil Young
"Le Noise" - Neil Young

Prestes a completar 65 anos, Neil Young continua na ativa sem dar qualquer sinal de cansaço ou acomodação – seja nos palcos, seja em estúdio. É verdade que "Le Noise", seu oitavo álbum em uma década, não foi gravado em estúdio, e a surpresa começa justamente aí. Deixando de lado sua fiel banda de apoio, a Crazy Horse, que o acompanha há décadas, o guitar hero canadense levou para uma mansão em Los Angeles apenas seu instrumento, amplificadores e o produtor Daniel Lanois, o quinto U2. E só. O resultado foram oito faixas, 40 minutos e um álbum fantástico.

É o trabalho mais experimental de Young desde o fracassado "Trans" (1982), uma piração eletrônica. "Le Noise", por outro lado, conta apenas com a guitarra e os ecos da casa. Lanois garante que todas as músicas foram gravadas em um take e sem muita pós-produção. Deve ser verdade, tirando um vocal processado num lado, um efeito escondido no outro, que não invalidam a originalidade do conjunto. Há desde barulheiras maravilhosas como "Walk with Me" e "Angry World" à calmaria de "Peaceful Valley Boulevard", sobre a chegada dos colonizadores ao Velho Oeste. A confessional "Hitchhiker" enumera as drogas que já entorpeceram o guitarrista e na melancólica "Love and War", ele canta que "a coisa mais triste no mundo é quebrar o coração da pessoa amada". Outro marco na carreira de um ícone que nem precisava fazer mais nada. (Marco Tomazzoni)


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Capa de "Meus Problemas com as Mulheres"
"Meus Problemas com as Mulheres" - Robert Crumb

A presença do cartunista Robert Crumb na última edição da Flip estimulou o lançamento de coletâneas do artista, conhecido entre outras coisas pela obsessão por mulheres "grandalhonas", definidas pelo próprio como o "estilo feijão": ventre avantajado, barriguinha proeminente, pernas grossas e nádegas excepcionalmente grandes.

Em "Meus Problemas com as Mulheres" (editora Conrad) Crumb aborda suas principais fantasias com essas mulheres, explicando desde o nascimento desta fixação, ainda nos tempos de colégio, até a realização de fetiches bizarros envolvendo suas musas - tudo registrado durante anos em histórias e rascunhos sem qualquer autocensura. Uma obra para manter nas prateleiras mais altas - longe das crianças e perto dos olhares de visitas mais puritanas. (Guss de Lucca)

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Capa de "As Armas Secretas", de Julio Cortázar
"As Armas Secretas" - Julio Cortázar

Publicado originalmente em 1959, "As Armas Secretas" reúne cinco contos de Julio Cortázar (1914-1984), um dos maiores escritores argentinos da história. Pelo menos três deles são obra-primas. "As Babas do Diabo", fonte de inspiração de Michelangelo Antonioni para o filme "Blow Up", um fotógrafo flagra uma cena aparentemente inocente e, ao ampliar a imagem, começa a ter dúvidas sobre a própria forma que percebe a realidade. "Cartas de Mamãe" também deu origem a um filme, o pouco conhecido (mas brilhante) "O Número Ímpar", de Manuel Antin. Na trama, a presença de um fantasma (se real ou imaginado, cabe ao leitor descobrir) aos poucos corrói o cotidiano de um jovem casal.

Mas o grande destaque do livro é "O Perseguidor". Neste conto longo, Cortázar narra a relação entre um crítico de música (um alter-ego do próprio escritor) e um saxofonista de jazz (vagamente inspirado em Charlie Parker). O primeiro é racional, contido, cartesiano. O segundo é seu oposto: intuitivo, passional, impulsivo. Desse embate entre os dois, surge a visão do autor do que é a arte: uma busca constante (e frequentemente frustrada) de algo além da vida cotidiana. Os outros dois contos ("Os Bons Serviços" e "As Armas Secretas") não estão no mesmo nível desses três, mas mesmo assim são espetaculares. Cortázar, não custa lembrar, é um dos grandes contistas do século 20.

"As Armas Secretas" havia sido publicado no Brasil em 1994, e há muitos anos encontrava-se fora de catálogo. Agora, acaba de ganhar uma nova edição. A tradução, um belo trabalho de Eric Nepomuceno, é a mesma da edição anterior. (Augusto Gomes)

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