iG Recomenda: Alceu Valença, Bete Coelho, tirinhas mudas e rock

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iG São Paulo |

Augusto Gomes, iG São Paulo
O músico pernambucano Alceu Valença revive canções do álbum "Vivo!" em São Paulo
Alceu Valença ao Vivo em São Paulo

Desta quinta (17) até sábado (19), o cantor pernambucano Alceu Valença faz três shows no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Não será um espetáculo qualquer: ele vai reviver, 35 anos depois, as canções do álbum "Vivo!", gravado no teatro Teresa Rachel, no Rio. É um dos melhores discos ao vivo da história da música brasileira. Nele, a mistura de rock com ritmos nordestinos como forróm, xote e baião de Valença acontece em altíssima temperatura, em músicas como "Sol e Chuva" e "Papagaio do Futuro". O show também será a oportunidade de ouvir a canção "Vou Danado pra Catende", que deu nome à turnê que originou o álbum "Vivo!", mas acabou não entrando no disco. O Sesc Belenzinho fica na Rua Padre Avelino, 1000, na Zona Leste de São Paulo. Os ingressos custam de R$ 8 a R$ 32 e os shows, nos três dias, começam às 21h30. (Augusto Gomes)

Divulgação
Integrantes do grupo canadense Hey Rosetta!, responsáveis pelo ótimo álbum de rock "Seeds"
"Seeds" - Hey Rosetta!

Do gelado norte canadense vem a energia do sexteto Hey Rosetta!, mais precisamente de St. John's, primeira cidade inglesa fundada na América, junto ao Atlântico. Compatriota do Arcade Fire, o grupo, pouco conhecido fora de seu país, segue os passos de Win Butler e mostra um talento todo especial para compor músicas com tendência a virar hinos – a catarse é o objetivo final. Se eles não acertam sempre, ao menos chegam bem perto disso em seu terceiro álbum, "Seeds". "Yer Spring", o primeiro single, combina guitarras, cordas, metais, melancolia e um vocal desesperado em busca de redenção. Não há uma fórmula, mas o sentimento é o mesmo em "Parson Brown", no folk de "Bandages" e na lembrança dolorida de "Yer Fall". A melhor é "Welcome", carta do vocalista Tim Baker ao filho na barriga de uma amiga ("esqueça onde você esteve, porque nada vai ser tão bom de novo"). Quando sai em turnê, o Hey Rosetta! enfrenta um dia de viagem de carro e mais um bom tempo de balsa para deixar a ilha de Newfoundland e chegar ao continente. Nos vídeos espalhados na web, eles provam no palco que o esforço vale a pena. (Marco Tomazzoni)

Reprodução
Duas tirinhas do álbum "Ordinário": impressões de Rafael Sica permitem as mais diversas interpretações
"Ordinário" - Rafael Sica

Tirinhas sem balões. Essa é a especialidade do cartunista Rafael Sica, autor de "Ordinário", livro da Companhia das Letras que reúne uma centena de tiras selecionadas pelo próprio artista - extraídas de um universo de 800. Pode até soar estranho, mas ao contrário da maior parte das tirinhas, que criam uma expectativa num primeiro momento e dois quadrinhos mais tarde resultam em uma piada, as de Sica conseguem deixar o leitor perplexo e ainda assim arrancar risos. Mérito do artista, que consegue transformar situações mundanas, como chegar em casa após o trabalho em uma situação curiosíssima. Leia a entrevista com Rafael Sica . (Guss de Lucca)

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The Vaccines: grupo de rock britânico é um dos mais comentados em 2011
"What Did You Expect From The Vaccines?" - The Vaccines

Músicas que lembram Ramones e The Jam aliadas a letras que citam amores juvenis e F. Scott Fitzgerald. É a receita que fez do inglês Vaccines o novo grupo mais comentado de 2011. A comparação com o Strokes de 2001 é inevitável. Dez anos atrás, "Is This It?", do Strokes, injetava uma certa crueza e energia dançante que pareciam perdidas no rock. "What Did You Expect...", primeiro álbum do Vaccines, não é tão imediato, mas tem pelo menos três faixas que são jóia pura: "If You Wanna", "Wreckin' Bar" e "Blow it Up". (Thiago Ney)

Lenise Pinheiro/Divulgação
Bete Coelho proporciona ao público uma interpretação arrebatadora em "O Terceiro Sinal"
"O Terceiro Sinal"

Poucas vezes um texto foi tão fiel à emoção e ao martírio de entrar num palco para representar pela primeira vez. “O Terceiro Sinal”, texto de Otavio Frias Filho adaptado para o teatro, conta os detalhes torturantes que antecederam a entrada do jornalista em cena, no espetáculo “Boca de Ouro”, de Nelson Rodrigues, em 2000.

José Celso Martinez Correa chamou Frias Filho para uma participação especial na peça, no papel do jornalista Caveirinha. Frias aceitou. Depois se arrependeu, mas já era tarde para fugir do compromisso. Não sabemos ao certo se foi um constrangimento ou se foi uma apresentação correta. Sabemos que a experiência rendeu um texto brilhante, divertidíssimo, cheio de auto-ironia, que faz qualquer um entender a quantidade de adrenalina indecente que passa pelo sangue numa hora dessas.

“O Terceiro Sinal” é um dos sete textos do livro “Queda Livre - Ensaios de Risco”, no qual Frias Filho fala de situações limites que experimentou, como provar o chá do Santo Daime ou saltar de pára-quedas.

Bete Coelho vive o torturado jornalista, numa interpretação arrebatadora. Saímos do teatro nos perguntando como ela consegue ser engraçada, trágica e convincente no papel de um homem em pânico. O espetáculo é simples e perfeito. Não falta nada e não sobra nada na direção elegante de Ricardo Bittencourt, com co-direção de Muriel Matalon. Uma aula de teatro pelo tema e pela atuação, que pode ser vista de graça no próximo final de semana. (Denis Victorazo)

"O Terceiro Sinal" - com Bete Coelho
Direção de Ricardo Bittencourt (co-direção de Muriel Matalon)
Teatro Vivo (av. Dr. Chucri Zaidan, 860; telefone 7420-1520)
Sáb. (dia 19), 21h; dom. (dia 20), 20h.

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