Ibama determina retirada dos urubus da Bienal de SP

Após polêmica, órgão estipula prazo de cinco dias para a devolução das aves

Guss de Lucca, iG São Paulo |

Agência Estado
Dois dos três urubus que integram a obra "Bandeira branca", de Nuno Ramos, na 29ª Bienal de São Paulo
Após causar polêmica na abertura da 29ª Bienal de São Paulo, a obra "Bandeira branca", do artista Nuno Ramos, foi notificada pelo Ibama por causa dos três urubus-de-cabeça-amarela que fazem parte da instalação. O órgão considera o local inadequado para a manutenção dos animais e estipulou um prazo de cinco dias para que as aves sejam devolvidas ao Parque dos Falcões, em Sergipe.

Contatada pelo iG , a assessoria da Bienal afirmou que organizadores e artista devem decidir ainda hoje o destino da obra - que foi alvo de protesto no último sábado (25.09), após um pequeno grupo de defensores dos direitos dos animais escreverem "liberte os urubu" dentro do espaço em que as aves são mantidas.

A instalação, uma das maiores desta edição do evento, cerca o vão central do interior do edifício com uma grade e, dentro dela, mantém três esculturas com caixas de som que tocam trechos das canções "Bandeira branca", "Acalanto" e "Carcará" - além dos três urubus.

Para veterinário, questão é mais política do que técnica

A redação do iG conversou com o veterinário William dos Anjos, responsável pela criação dos três urubus no Parque dos Falcões, em Sergipe. Foi ele quem transportou as aves até São Paulo e, no caso de cumprimento da decisão do Ibama, deve voltar para buscá-las.

De acordo com o tratador, a polêmica envolvendo a obra é mais política do que técnica, ilustrando uma disputa que se daria entre o vereador Tripoli (PV-SP) e o artista Nuno Ramos - além de uma dissonância entre o Ibama de Brasília e o de São Paulo.

"As coisas não estão sendo levadas para o lado técnico, mas sim para o político. Enquanto o Ibama de São Paulo pede que façamos adequações, o Ibama de Brasília exige o retorno dos animais para o parque", explica o tratador.

William concorda com alguns desses acertos sugeridos pelo Ibama de São Paulo, como o do distanciamento da grade, mas considera outras exigências descabidas. "Todo local em que animais são exibidos precisa de um afastamento do público, geralmente de um metro e meio, e ali não há. Por outro lado, pediram que água fosse colocada em cima das torres para que os urubus bebessem, só que aves de rapina não bebem água. Nem o Ibama conhece o comportamento das aves - é isso que eu quero mostrar."

O tratador também disse que quer evitar que o Parque dos Falcões se envolva numa disputa política entre o vereador e o artista, e garantiu que acatará a decisão final do órgão. "Até agora só recebi do Ibama a questão da adequação. Mas vamos acatar o que o Ibama decidir. Ele é o órgão regulador e é assim que deve ser feito."

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