Hoje Tem Mazzaropi é comédia à moda antiga

Dono do caminhãozinho original dos filmes, ator encarna o personagem em peça ingênua e cheia de malícia

Denis Victorazo, especial para o iG Cultura |

Cheguei cedo ao Teatro União Cultural para entrevistar os atores da comédia Hoje Tem Mazzaropi , sem saber o que me esperava. Levei um susto ao dar de cara com o próprio Mazzaropi no saguão. Cumprimentei de longe, e ele muito simpático se aproximou tirando o chapéu de palha. De perto, era um pouco mais jovem do que o Mazzaropi da minha lembrança, dos filmes em preto e branco dos anos 60, mas a semelhança era impressionante!

Ele disse que era primo do Mazzaropi, e seu nome era Philaderpho, “com FO no finar”, e me convidou a assitir a peça. Era por isso que estava lá, expliquei. Ele pediu que eu esperasse: “Já, já, eu vórto. Vô até a banca comprá uma revista que saiu uma foto minha. Se for um tamanho bão, dá pra usar nargum ducumento!”

Perguntei se ele ia daquele jeito, me referindo ao figurino e à maquiagem e ele respondeu: “Uai! Queria que eu fosse como? Pelado?”

Dali a pouco Philaderpho vortô, quer dizer, voltou, com a revista na mão, mostrando a foto para quem quisesse ver. Demorou porque “uma dona puxou assunto na rua. “Mas eu falei: Ô dona, eu sô casado!” Ficamos proseando como velhos conhecidos.

Ponto para o ator Júlio Lima, que tratou de manter o personagem e divertir quem estivesse por perto.
A intimidade dos dois, ator e personagem, não é de hoje. Júlio criou Philaderpho há dez anos e nesse tempo virou proprietário do caminhãozinho de Mazzaropi, o Anastácio, que aparecia nos filmes da Cia. Cinematográfica Vera Cruz, onde Mazzaropi trabalhava antes de criar a própria companhia, a PAM Filmes. Com o caminhãozinho, Philaderpho vai se apresentando por esse mundão.

Que bom encontrar um comediante que faz rir sem agressão, sem humilhar os outros, apenas com seu personagem e suas tiradas divertidas. Há muito tempo não via isso. Será que é preciso ir tão atrás na trajetória da comédia brasileira e resgatar o Jeca, para reaprendermos a rir juntos, ou rirmos de nós mesmos?

Divulgação
O elenco da comédia Hoje tem Mazzaropi
A peça


Para a nova empreitada no teatro, o ator se juntou ao dramaturgo Mário Viana, que construiu uma comédia com uma estrutura muito parecida com um filme de Mazzaropi. Apesar de se considerar muito urbano, Mário usa seu lado jornalista para pesquisar o universo do caipira remendado, cada vez mais difícil de encontrar. “Mazzaropi falava com o homem que tinha saído do mato. Ele era o super herói dessas pessoas. O Rambo dos caipiras” resume o dramaturgo.

Com a direção de Hugo Coelho, o elenco foi atrás da brejeirice, da comédia ingênua, mas também cheia de malícia. O espetáculo começa com a filha de Philaderpho fugindo de casa para tentar ser artista na cidade grande. Ela não suporta a vida “naquele brejo” e pretende encontrar o empresário do parente famoso, Mazzaropi, e mostrar o seu talento. A mãe, Zefa (Iara Jamra), reúne a família e todos correm para São Paulo, em busca da filha ambiciosa.

Divulgação boca a boca


Segundo o dramaturgo Mario Viana, quando viajava com a “Troupe Mazzaropi” pelo interior de São Paulo, o comediante pagava alguns garotos de cada cidade para anunciarem que ele estava se apresentando naquela noite, gritando “Hoje tem Mazzaropi, hoje tem Mazzaropi”. Daí o título desse espetáculo que também pretende ser uma comédia de humor popular, para toda a família.

Além de Júlio Lima como o primo-irmão de Mazzaropi, temos ótimos comediantes, como Iara Jamra, Silvia Poggetti e os jovens Beto Galdino, Dani Mustafci e Maria Carolina Dressler. Ah! E pra quem gosta de música caipira com direito a viola e tudo, o espetáculo também agrada trazendo algumas músicas dos filmes de Mazzaropi.


Hoje tem Mazzaropi

Teatro União Cultural
Rua Mário Amaral, 209, Paraíso, São Paulo
 Sexta 21:30
Sábado 21h
Domingo 20h
Até 27 de junho

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