História e mundo contemporâneo marcam Bienal de Arte de Veneza

Mostra abre suas portas dialogando com o Renascimento e a tecnologia digital

iG São Paulo com EFE |

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"A Criação dos Animais", de Tintoretto, pintado entre 1550 e 1553, é um dos quadros expostos em Veneza
A 54ª edição de Bienal de Arte de Veneza abriu suas portas ao público com uma proposta que reúne história e contemporaneidade e na qual a imagem e as formas audiovisuais são protagonistas. Neste ano, a mostra tem como tema "ILLUMInazioni-ILLUMInations" e conta, além de obras contemporâneas de 83 artistas, com três pinturas do mestre veneziano do Renascimento Tintoretto.

A curadora da Bienal, Bice Curiger, explica que as obras do gênio renascentista, com sua linguagem visual "muito direta", permitem estabelecer um "diálogo com o mundo contemporâneo". Um mundo no qual a imagem, por meio de suas diferentes formas, tanto em fotografia tradicional e digital, quanto em vídeo, curta-metragem, documentário e filme, adquire uma importância capital na transmissão da arte no evento em Veneza.

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"A Church of Fear vs. the Alien Within", do alemão Christoph Schligensief
Um exemplo disso está no pavilhão alemão, onde fica a obra deixada por Christoph Schligensief, que relembra sua carreira através do formato audiovisual. O local reproduz em seu interior um oratório. No espaço central está projetada "A Church of Fear vs. the Alien Within", concebida em 2008 pelo artista como a segunda parte da trilogia dedicada a sua doença, após vários meses de quimioterapia e de ter sido operado no pulmão. Schligensief morreu no ano passado.

Nos muros laterais do pavilhão, no espaço dos jardins da Bienal, são reproduzidos seis filmes de diferentes momentos da trajetória do artista e testemunhos de seu projeto "Opera Village", um complexo situado perto da capital de Burkina Fasso que acolhe, entre outros, uma escola que ensina música e cinema.

A imagem também tem um papel fundamental no pavilhão do Chile, que com "Grande Sur", do artista Fernando Prats, leva a Veneza o testemunho da potente natureza chilena, como o terremoto que castigou há mais de um ano o país e a erupção do vulcão Chaitén em 2009. Um projeto que, segundo explicou o comissário do pavilhão, Antonio Arévalo, levou o artista aos locais da geografia chilena nos quais a natureza "explode" e cujas consequências o artista "calca" com seus papéis. Prats documenta o processo com um vídeo em que ficam impressas "as marcas" destes fenômenos naturais.

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"Zahra/Farah", da américa Taryn Simon
Uma das propostas que chama a atenção do visitante é a da fotógrafa norte-americana Taryn Symons. Ela é autora de "Farah", imagem final do filme "Guerra sem Cortes" (2007), de Brian De Palma, na qual o cineasta narra a história de quatro soldados americanos mandados ao Iraque, que assassinam e estupram uma jovem e a sua família. A fotografia de Symons, reconhecida por seus trabalhos nos quais dá voz aos oprimidos, é o último fotograma que aparece no longa de De Palma, e nela se vê o corpo da jovem Farah, interpretada pela atriz Zarah Zubeidi, após seu assassinato.

Os "Indignados" do movimento espanhol 15-M também encontraram espaço na bienal, com um grupo de jovens que informavam ontem sobre os objetivos e as origens da mobilização diante do pavilhão da Espanha. O grupo protesta contra o desemprego, corrupção e a política ecônomica do governo espanhol, entre outros temas.

A Bienal de Veneza 2011 contará com participações de 89 países, entre elas, pela primeira vez, as de Andorra, Haiti e Arábia Saudita. Este ano marca o retorno ao evento, com pavilhão próprio e após longa ausência, de países como Índia, Iraque, África do Sul, Costa Rica e Cuba.

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