"Hell" serve de vitrine para Bárbara Paz

Em cartaz em São Paulo, peça com direção de Hector Babenco privilegia visual

Denis Victorazo, especial para o iG Cultura |

Divulgação
Bárbara Paz e Ricardo Tozzi protagonizam adaptação do romance francês "Hell Paris 75016"
Para começar, "Hell" não é um bom nome para uma peça de teatro. Muita gente considera ficar sentado numa sala escura por mais de uma hora, com atores representando ao vivo num palco, a própria imagem do inferno. E a verdade é esta mesmo: quando é bom, um espetáculo é ótimo, mas quando é ruim, pode ser um inferno!

"Hell", que estreou na última quinta-feira no teatro do SESI-SP, com direção do cineasta Hector Babenco, não é um inferno, mas está longe de ser ótimo. Babenco já passou pelo teatro anteriormente, em 1987, com “Loucos de Amor”, de Sam Shepard, e em 2000 com "Closer", de Patrick Marber. Em "Hell", cujo único propósito parece ser oferecer uma vitrine para sua mulher, a atriz Bárbara Paz, Babenco assina, além da direção, a adaptação do texto, em parceria com Marco Antonio Braz.

Patricinhas de Beverly Hills, sexo e drogas

O livro "Hell Paris 75016", escrito por Lolita Pille, mostra o estilo de vida da autora e seu círculo, e foi lançado na França em 2003, quando ela tinha 21 anos. É uma espécie de Patricinhas de Beverly Hills, só que em Paris, temperado com sexo e drogas.

Divulgação/João Caldas
Bárbara Paz em cena: entrega no palco
Bárbara Paz é Hell, jovem rica, bonita, consumista e arrogante que só pensa em beber, se drogar e fazer compras nas melhores lojas de Paris. Logo de cara ela se apresenta dizendo: “Eu sou uma putinha. Daquelas bem insuportáveis. Da pior espécie. Meu credo é 'Seja bela e consumista'".

E a atriz está mesmo bonita em cena. Sua personagem troca de roupa diversas vezes, sem nem mesmo tirar o cigarro aceso da boca. Mas na única vez em que troca o sutiã, ela fica de costas para a plateia, num excessivo pudor que não combina nem com a personagem, nem com a história da atriz.

Seu companheiro de cena é Ricardo Tozzi, interpretando o bonitão que todas as amigas cobiçam. Mas ele prefere as putas: “Gosto de um trabalho bem feito”, justifica o personagem, versão masculina de Hell, igualmente consumista, vaidoso e perdido.

A adaptação coloca os dois personagens quase o tempo todo separados, falando de si, com frases impactantes como essas acima. Fica-se com a impressão de estar ouvindo a leitura de um livro, onde os atores ainda não perceberam todas as possibilidades de ironia, de humor e de crítica.

O que poderia ser um signo da solidão de cada um e das dificuldades de interação acaba enfraquecendo o espetáculo.
Apesar desse dilema, Bárbara Paz mostra que é capaz de grande entrega. Ela, que passou pelo teatro alternativo antes de ficar famosa na televisão, é uma atriz interessante, e é isso que transforma em prazer o inferno de sentar numa sala escura para tentar se identificar com uma personagem incômoda. Mesmo numa montagem em que se deu mais importância ao visual que ao essencial.

Serviço – "Hell" em São Paulo
Até 19 de dezembro de 2010
Teatro do Sesi-SP (Av. Paulista, 1313)
De quinta a domingo, às 20h
Quintas e sextas: entrada franca. A distribuição dos ingressos tem início a partir da abertura da bilheteria no mesmo dia do evento. Horário de funcionamento da bilheteria: de quarta a sábado, das 12h às 20h30; domingo, das 11h às 19h30. São distribuídos dois ingressos por pessoa.
Sábados e domingos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)
Informações: (11) 3146-7405 e internet

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