Harry Potter viverá para sempre

Com o site Pottermore, a escritora JK Rowling cria uma nova forma de alimentar os fãs da série

Guss de Lucca, iG São Paulo |

A escritora britânica JK Rowling acumula alguns feitos notáveis em sua carreira. Criadora da série do bruxo "Harry Potter", composta por sete livros que venderam mais de 400 milhões de cópias pelo mundo, ela conseguiu em cinco anos saltar do auxílio previdenciário para a restrita lista dos bilionários.

Divulgação
Cena de "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2", filme que marca o fim da saga nos cinemas
Agora, com a estreia da última adaptação cinematográfica de sua obra, "Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2" , Rowling anuncia a criação do site Pottermore , iniciativa que pretende manter vivo o interesse dos fãs pela encerrada franquia.

De acordo com a própria autora, a proposta é recontar as histórias com a adição de inúmeros detalhes e com a participação dos leitores. A ação deixa implícito como as "fanfics" de Harry Potter influenciaram o projeto - fanfic é a abreviação do termo em inglês fan fiction, que significa "ficção criada por fãs".

No caso específico da franquia Harry Potter, isso compreende milhares de histórias envolvendo o universo criado por Rowling (até a publicação desta nota, o site FanFiction.net , por exemplo, possuía mais de 419 mil fanfics em inglês baseadas na série de livros).

Apesar de curioso, nas palavras de Pollyana Ferrari, professora da PUC São Paulo e consultora na área de mídias sociais, não há ineditismo no projeto da escritora.

"Acho que ela pegou carona em outros cases de sucesso, como foi o caso do seriado 'Lost' , que não teria o 'boom' que teve se as pessoas não compartilhassem informações sobre aquele universo."

Assim como ela, o coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito do Rio e do projeto Creative Commons no Brasil, Ronaldo Lemos, cita outros autores que utilizaram o conceito de transmídia, que consiste na utilização de múltiplas plataformas de comunicação, para divulgar suas produções.

"No sentido de ampliar o universo onde a história acontece, isso já ocorreu com 'Star Wars' e 'Matrix', por exemplo, e até com o game 'Dead Space', que teve seu universo expandido com o lançamento de novas franquias. Acho interessante que ela proveite a flexibilidade da internet para aumentar o universo do Harry Potter, que já é muito rico."

Quando questionado sobre a chance de um autor controlar o fluxo de fanfics envolvendo seus personagens, como ocorreu com a Warner Bros - que ao comprar os direitos de adaptação da série "Harry Potter" aos cinemas caçou diversos sites com publicações de fãs -, Lemos foi enfático.

"É impossível. Hoje as fanfictions são um fenômeno quase inevitável - e na verdade é um grande elogio para o autor, pois ajuda a expandir o interesse por seus personagens. É errado achar que a fanfic compete com a história original. No Japão muita gente faz versões de mangás com personagens famosos de forma amadora. E a própria indústria do mangá, que é conservadora, já assumiu a ideia do fanfic como algo benéfico ao original", explicou.

Apesar de ter sua estreia marcada para outubro, a partir de 31 de julho um milhão de fãs poderão testar a versão Beta de Pottermore, que estará disponível em inglês, francês, alemão, italiano e espanhol. De acordo com os responsáveis, outras línguas devem ser adicionadas posteriormente.

Abaixo, Rowling explica o Pottermore.

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