Festival de dança de rua leva espetáculos à Avenida Paulista

Espaços públicos da principal via de São Paulo abrigarão companhias de 7 países

Agência Estado |

Divulgação
Espetáculo "Extra Large", da cia belga Irene K
Começa hoje o VI Visões Urbanas, o festival internacional de dança na rua que vai espalhar 16 espetáculos gratuitos pela Avenida Paulista. Trabalhos do Brasil, Uruguai, Turquia, Estados Unidos, Itália, Bélgica e Alemanha serão mostrados para quem estiver pelos Parques Trianon e Mário Covas e no jardim da Casa das Rosas. São mais de 30 bailarinos em uma programação que acontece de manhã, à tarde e à noite até 30 de abril.

A diretora artística, Mirtes Calheiros, contou que percebeu a necessidade de ligar a sala de aula com a rua desde seu início como professora, e conseguiu criar o festival em parceria com Ederson Calheiros, em 2006. "Quando vai explorar a cidade, o bailarino precisa ter o pé mais treinado porque não pode contar só com o chão liso, deve saber lidar com os 360º que a rua oferece, e precisa desenvolver um senso de interpretação para lidar com o imprevisto. O interessante é que como ele também necessita, em outra medida, de tudo isso para dançar no palco, a sala de aula e a rua terminam de complementando."

Também diretora da Cia Artesãos do Corpo, que fundou em 1999 e reúne oito intérpretes, Mirtes deseja ampliar o alcance do festival na cidade. "Nossa meta é conseguir mostrar que existe muito interesse nessa dança trabalhada especificamente para a rua. Existem muitos grupos no Brasil que não consigo trazer, por conta da verba reduzida. Como o que nos move é querer lavar com um pouco de poesia os olhos de quem vive em uma cidade como São Paulo, cada vez mais poluída, e na qual se fica cada vez menos na rua, a expansão é a nossa meta."

Visões Urbanas faz parte da rede internacional CQD - Cidades que Dançam, da qual participam 34 cidades de 18 países da América Latina e Europa. Esta rede surgiu em Barcelona, em 1992, cidade onde mantém a sua sede. Do Brasil, participam, além de São Paulo, as cidades de Brasília, com Marco Zero; Belo Horizonte, com Horizontes Urbanos; Porto Alegre, com Dança Alegrete; e Rio de Janeiro, com Dança em Trânsito.

Além dos espetáculos, estão programadas duas palestras no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, e uma mostra de videodança na Casa das Rosas. E também dois eventos fora da Avenida Paulista: uma oficina de hip-hop no estúdio dos Artesãos do Corpo, em Santa Cecília, e uma exposição de fotos, "São Paulo - Cidade que Dança", na Caixa Cultural da Praça da Sé sobre os primeiros cinco festivais. Mais informações no site oficial do festival .

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