Fernando Muñoz. Bogotá, 27 abr (EFE).- O candidato do Partido Verde à Presidência da Colômbia, Antanas Mockus, chega hoje como favorito ao segundo debate na televisão da campanha, entre grande expectativa por sua súbita ascensão nas pesquisas.

Fernando Muñoz. Bogotá, 27 abr (EFE).- O candidato do Partido Verde à Presidência da Colômbia, Antanas Mockus, chega hoje como favorito ao segundo debate na televisão da campanha, entre grande expectativa por sua súbita ascensão nas pesquisas. O debate entre os seis candidatos com mais possibilidades de vitória nas eleições de 30 de maio, organizado pela "CityTv" e pela rádio "AW", começará às 21h (23h, Brasília) e será transmitido ao vivo pela internet e por canais também da Europa. Com 58 anos, Mockus já foi prefeito de Bogotá, é matemático e filósofo. Surpreendendo a todos, pela primeira vez desde que a campanha começou recebeu mais intenções de voto que o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos, segundo uma sondagem do instituto Ipsos-Napoleón Franco divulgado na segunda-feira. De acordo com a pesquisa, Mockus conta com 38% de apoio e Santos, até a segunda-feira o favorito, com apenas 29%. Em seu primeiro dia como líder nas pesquisas, o candidato do Partido Verde disse, em várias ocasiões, que não negociará com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) enquanto tiverem reféns. Ele disse ainda respeitar, mas não admirar o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que é acusado pelo Governo colombiano de interferir nas eleições com suas críticas constantes a Santos. Para ele, "o produtivo" com a Venezuela é "estabelecer relações baseadas na prudência". O analista político Alejo Vargas disse hoje à Agência Efe que o crescimento do apoio popular a Mockus obedece a uma onda midiática similar a que, há oito meses, permitiu a Álvaro Uribe se tornar presidente da Colômbia. "É a mesma coisa que aconteceu com Uribe há oito anos, que do nada, de ser um personagem anônimo e obscuro de lá do departamento (estado) de Antioquia, foi crescendo e se tornou presidente no primeiro turno", disse. O analista acrescentou que as pesquisas podem estar refletindo também um cansaço dos colombianos com o discurso de Uribe de que a "cobra está viva", em referência às Farc. As palavras do presidente costumam ser referendadas por Santos, candidato governista. O debate da campanha eleitoral esteve marcado nos últimos dias pelo discurso de Santos contra o presidente Chávez, que o considera uma "verdadeira ameaça militar" e um "lobo disfarçado de chapeuzinho vermelho". Chávez também lembra que uma corte do Equador mantém vigente a ordem de prisão preventiva para Santos por sua autoria "intelectual" do bombardeio do Exército colombiano a um acampamento da guerrilha das Farc em território equatoriano, em março de 2008. Inclusive Mockus, no último debate na TV, em 19 de abril, criticou a operação militar por considerar que violou o direito internacional. É tido como certo que no debate de hoje as conflituosas relações com os países vizinhos e a segurança voltarão a centrar as discussões. Mockus foi favorecido nas pesquisas pela ascensão que teve entre os jovens nas redes sociais na internet, onde se tornou um dos mais procurados e conta com mais de sete milhões de pessoas entre seus 'amigos' no Facebook. "O interessante e o que pode ser que termine impactando muito é que esses eleitores jovens possam influenciar suas famílias, seus pais, o que então termina tendo um efeito multiplicador", opinou Vargas. O programa de Mockus se baseia na educação, na legalidade, na transparência e na boa governança, mas também na continuidade da luta contra as Farc, com quem diz que não vai negociar. Atrás de Mockus e Santos, figuram, segundo as pesquisas, a ex-chanceler e candidata do Partido Conservador Noemí Sanín (11%); Gustavo Petro, do esquerdista Polo Democrático Alternativo (5%); além do liberal Germán Vargas Lleras, da Mudança Radical, e do candidato do Partido Liberal, Rafael Pardo, ambos com 3%. EFE fer/rr

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