Expressionismo tropical de Goeldi ganha exposição em Londres

Mostra inaugura nesta quinta-feira e fica em cartaz até dia 13 de maio

BBC Brasil |

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Uma galeria em Londres inaugura nesta quinta-feira (14) uma exposição dedicada à obra do expoente do expressionismo no Brasil Oswaldo Goeldi (1895-1961). Com 22 xilogravuras, a exposição, intitulada "Oswaldo Goeldi: Cenas Urbanas" revela, segundo os organizadores, uma "visão subterrânea das cenas urbanas da cidade do Rio de Janeiro e pessoas anônimas" no século 20. A exposição fica em cartaz até 13 de maio.

"Um mundo sombrio, assombrado e inesperado", diz o curador da mostra na Gallery 32, nas dependências da Embaixada Brasileira, Paulo Venâncio Filho, que descreve Goeldi como um "poeta da dor". O contraste em preto e branco nas xilogravuras e a desolação que esses trabalhos evocam denotam uma imagem singular do Brasil, bem distante da imagem usual de país alegre, colorido e extrovertido.

A exposição - que se segue à criação de um núcleo especial dedicado ao trabalho de Goeldi na 29ª Bienal de São Paulo, em 2010 - celebra o artista no ano em que se completa o 50º aniversário de sua morte.

Nascido no Rio, Goeldi passou a infância em Belém, no Pará, antes de sua família se mudar para a Suíça. Depois da morte de seu pai, o naturalista suíço Émil Goeldi, em 1917, Oswald se matriculou na Escola de Artes e Ofícios de Genebra, onde estudou por seis meses. Nesta época ele teve contato com o artista plástico Alfred Kubin, ilustrador e expressionista austríaco.

Em 1919 o artista voltou ao Brasil, realizou sua primeira exposição e passou a entrar em contato com figuras proeminentes do Modernismo, como Manuel Bandeira e Di Cavalcanti. Mais tarde, Goeldi começa a fazer ilustrações para revistas e livros como Canaã, de Graça Aranha, ou O Manque, de Benjamin Costallat.

Em 1930 chegou a fazer um álbum com dez gravuras e prefácio de Manuel Bandeira. Entre outras ilustrações famosas do artista para livros está a que fez para "Ressurreição da Casa dos Mortos", e "O Idiota", ambos de Dostoiévski e "Carlinhos", de Villegas Lopes.

Em 1951, Goeldi participou da 1ª Bienal de São Paulo e ganha o 1º Prêmio da Gravura Nacional. Durante sua vida, Goeldi fez várias exposições individuais no Brasil e em outros países. Um ano antes de sua morte, o artista ilustrou o livro "Mar Morto", de Jorge Amado, e ganhou o primeiro prêmio internacional de gravura da 2ª Bienal Americana do México.

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