Exposição homenageia "amigas surrealistas" no Reino Unido

Obras das pintoras Leonora Carrington e Remedios Varo e da fotógrafa Kati Horna estão expostas em Chinchester

EFE |

Divulgação
Detalhe da pintura "Creacion de las Aves", de Remedios Varo
A Segunda Guerra Mundial expulsou da Europa e reuniu no México três artistas - as pintoras Leonora Carrington e Remedios Varo e a fotógrafa Kati Horna -, que lá deram continuidade à amizade e às suas respectivas carreiras. A Pallant House Gallery, localizada em Chichester, no sul da Inglaterra, dedica às artistas a exposição "Amigas Surrealistas", que estará à disposição do público até o dia 12 de setembro.

Não é por acaso que a galeria se interessou por Leonora e Remedios, já que o condado de Sussex, onde fica Chichester, tem uma antiga relação com o surrealismo: ali residiram Edward James, milionário e benfeitor de Salvador Dalí, e o pintor Roland Penrose, introdutor do movimento pictórico em seu país, e sua esposa, a modelo e fotógrafa Lee Miller.

Das três mulheres, a única que ainda está viva é Leonora Carrington, que, aos 93 anos, mora no México, onde recebeu o diretor da galeria e responsável pela exposição, Stefan Van Raay, que explicou à Agência EFE que ela não foi até Chichester porque na sua idade tem medo de andar de avião. A espanhola Remedios Varo morreu em 1963, enquanto a húngara Kati Horna em 2000.

Leonora e Remedios frequentaram grupos surrealistas em Paris, mas a ocupação da França pela Alemanha nazista as obrigou a ir para o México, onde o presidente Lázaro Cárdenas tinha aberto as fronteiras aos refugiados republicanos da Guerra Civil espanhola (1936 - 1939).

Cada uma das três mulheres temia a perseguição dos nazistas. Leonora porque era britânica e amante do surrealista Max Ernst, que era considerado pelo regime de Hitler um dos representantes da "arte degenerada". Remedios receava porque era republicana e amante do poeta esquerdista francês Benjamin Péret e a húngara Kati porque, além de judia, era a companheira do artista anarquista espanhol José Horna e documentou com suas fotografias a tragédia republicana durante a disputa civil espanhola.

Van Raay explicou que o México ofereceu às três mulheres a possibilidade de "continuar explorando sua arte com muito mais liberdade do que tinham na velha Europa". Dos grupos surrealistas frequentados por Leonora, faziam parte Picasso, Man Ray, Miró, Breton e Duchamp. Mas, depois da explosão da Segunda Guerra Mundial, ela fugiu à Espanha, onde por causa de problemas psicológicos precisou ser internada em um centro psiquiátrico, em Santander. Leonora conheceu o diplomata mexicano Renato Leduc, que lhe tinha apresentado Picasso, e também fez a proposta para ela viajar ao México, onde se casaria com o fotógrafo Emerico Weisz.

Remedios Varo, nascida em 1908 na Espanha, estudou na Academia de San Fernando, onde conheceu Dalí, e Geraldo Lizarraga, que seria seu primeiro marido, com quem viveu um ano em Paris antes de ir para Barcelona. Depois de explodir a guerra com a Alemanha nazista e após passar algum tempo nas prisões francesas do Regime de Vichy, Remedios viajou para Marselha, onde se reuniu com o surrealista Benjamin Péret e ambos se transferiram ao México, em novembro de 1941. No México, Remedios e Péret se integraram ao círculo de exilados de Leonora e Kati, com quem se reuniam quase diariamente.

Kati, que tinha documentado com fotos a tragédia da Guerra Civil espanhola, fugiu também ao país asteca com seu marido José Horna, e ali começou uma nova vida. A exposição da Pallant House Gallery reúne numerosas pinturas de Leonora e Remedios - em sua maioria procedentes de coleções privadas do México e Estados Unidos -, junto a excelentes fotografias de Kati, tanto da Guerra Civil espanhola como da vida em Paris e de sua estadia no México.

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