Exposição de Thomaz Farkas em São Paulo é prorrogada

Fotógrafo, um dos mais importantes do Brasil, morreu na última sexta-feira aos 96 anos

iG São Paulo |

A exposição "Thomaz Farkas - Uma Antologia Pessoal", que deveria sair de cartaz do Instituto Moreira Salles neste domingo, foi prorrogada. O coordenador cultural do IMS, Samuel Titan Jr, já havia adiantado ao iG a prorrogação. Agora, a data foi confirmada: até 1º de maio. A mostra é uma retrospectiva do fotógrafo húngaro, naturalizado brasileiro, com cerca de 100 imagens, parte delas inéditas. Farkas morreu na última sexta-feira, aos 96 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos.

Na mostra, estão expostas imagens produzidas a partir dos anos 1940, quando Farkas se associou ao Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB), associação que reunia os principais fotógrafos modernos do Brasil. “Predominam aqui as fotografias de forte viés formal e abstrato, baseadas em construções de luz em sombra”, explica Sergio Burgi, coordenador de fotografia do IMS.

A exposição apresenta também trabalhos posteriores do fotógrafo, com uma abordagem mais humanista, quando Farkas se aproxima do fotojornalismo. Na mostra ainda estão presentes algumas imagens coloridas datadas de 1975, mas que só foram apresentadas pela primeira vez ao público em 2005.

Paixão pela fotografia

Thomaz Farkas é um dos grandes expoentes da fotografia moderna no Brasil. Húngaro de nascimento, veio para o país ainda criança, em 1930. Sua família fundou a Fotoptica, empresa pioneira no comércio de equipamentos fotográficos no Brasil.

Aos oito anos de idade, em 1932, ganha de seu pai a primeira câmera fotográfica e durante os dez anos seguintes, começa a experimentar com seu brinquedo: fotografa família, animais domésticos, o grupo de amigos de bicicleta, fatos relevantes como a passagem do Zeppelin e a construção do estádio do Pacaembu.

Pioneiro, Farkas estabeleceu contato com o fotógrafo Edward Weston, na Califórnia, e o curador de fotografia do Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova York, Edward Steichen. A pedido de Pietro Maria Bardi, montou o laboratório fotográfico do MAM/SP, junto com Geraldo de Barros.

Documentou como Marcel Gautherot e outros fotógrafos a construção de Brasília. A linguagem e abordagem é a fotografia documental, o fotojornalismo que pautaria nas décadas de 1960 e 1970, a Caravana Farkas de documentários sobre o Brasil profundo e a série em cores sobre a Amazônia e Nordeste (Notas de viagem).

Apesar da formação em engenharia, foi professor de Fotografia, Fotojornalismo e Jornalismo Cinematográfico da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP).

Entre suas realizações como documentarista estão a produção de "Brasil Verdade" (1968), uma compilação de 4 médias-metragens que tratam de cangaço, samba, futebol e migração, "Coronel Delmiro Gouveia" (1978), filme sobre o pioneiro da industrialização do Brasil, e "Jânio a 24 Quadros" (1981), que retrara a trajetória política do ex-presidente Jânio Quadros.

"Thomaz Farkas: Uma Antologia Pessoal"
Instituto Moreira Salles
Rua Piauí, 844, 1° andar, Higienópolis
Até 1º de maio de 2011
De terça a sexta-feira, das 13h às 19h
Sábados e domingos, das 13h às 18h
Entrada franca
Telefone: (11) 3825-2560

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