Exposição de murais de Portinari é prorrogada no Rio

Mais de 12 mil pessoas viram painéis; filas nos arredores do Teatro Municipal

Agência Estado |

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Os painéis "Guerra e Paz", de Cândido Portinari, montados no palco principal do Teatro Municipal do Rio
O Teatro Municipal do Rio de Janeiro prorrogou até o dia 6 de janeiro do ano que vem a exibição de "Guerra" e "Paz", principais murais do pintor Cândido Portinari, que estão expostos ao público desde o último dia 21. Filas que percorrem mais de dois quarteirões em torno do teatro têm se formado diariamente nos momentos anteriores às sessões de visita (que acontecem gratuitamente de duas e duas horas). Até hoje, mais de 12 mil pessoas já viram as obras.

Os painéis foram pintados no Rio em 1955 e 1956, sob encomenda, para a entrada da sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. No início de 56, antes de seguirem para os Estados Unidos, as pinturas, que somam 280 m², provocaram uma corrida ao teatro: os cariocas queriam conferir o presente do governo brasileiro à ONU. Agora, quem visita a exposição primeiro assiste a um vídeo produzido pela presidente do teatro, Carla Camurati, contando um pouco da história do pintor e dos murais. Em seguida, é realizada uma projeção sobre os estudos feitos para a restauração dos painéis e, logo depois, "Guerra" e "Paz" são revelados ao público.

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Fila nesta semana para entrar no teatro
"Fiquei encantado com a projeção e com a força que emana dos painéis. Dá uma alegria de ver que este brasileiro é reconhecido mundialmente por sua arte", disse o professor de história aposentado Maurício Pereira, de 67 anos, pouco depois de sair do teatro, no início da tarde de hoje.

"Guerra" e "Paz" foram pintados quando Portinari (1903-1962) já sofria os efeitos da intoxicação por tintas que o mataria. Ele teve de trabalhar num galpão em Botafogo, na zona sul do Rio, sob temperatura de 40º C. As obras foram exibidas no mesmo Teatro Municipal, por ordem do presidente Juscelino Kubitschek, para que Portinari pudesse ver seu trabalho. Na época, o pintor teve visto negado para entrar nos EUA por suas ligações comunistas.

O público pode admirar as obras das 10h às 22h (a cada 2 horas, gratuitamente, mediante retirada de senha). Sexta-feira e sábado o teatro estará fechado e, entre 2 e 6 de janeiro, as sessões acontecem a partir das 14h, também de duas em duas horas.

Depois, os painéis seguem para o Palácio Gustavo Capanema, também no Rio, onde passam por restauração em ateliê aberto ao público. Eles ficam lá até maio, com realização de programa educativo voltado ao atendimento às escolas. Em seguida, uma turnê nacional e internacional está sendo planejada até o retorno das obras à ONU, em 2013.

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