Exposição de fotos mostra cenas curiosas do Minhocão, em SP

Elevado é utilizado como parque pelos moradores do centro aos domingos

Tiago Agostini, iG São Paulo |

O centro de São Paulo é um local desprovido de áreas públicas de lazer. Partindo desta constatação, a fotógrafa Luana Fischer começou a observar e fotografar o que acontecia no Elevado Costa e Silva, o popular Minhocão, quando este ficava fechado ao tráfego de veículos à noite e aos domingos. O resultado do trabalho estará à mostra na exposição “Quintal”, neste domingo, das 12h às 15h, no próprio Minhocão, com entrada gratuita.

Inaugurado em 1970, o Minhocão é uma via suspensa de 3,4 km que liga o centro à zona oeste. Rodeado por prédios em todo o seu trajeto sobre as avenidas Amaral Gurgel, São João e General Olímpio da Silveira, é uma das paisagens mais cinzentas (e esteticamente criticadas) da cidade. “Durante o dia, os moradores dos prédios ao redor não abrem as janelas, porque os carros praticamente entram em suas casas”, conta Fischer. “À noite é quando eles têm essa liberdade, abrem e ficam observando o seu ‘quintal.’”

Aos domingos, quando o tráfego é proibido durante todo o dia, o local se transforma. “As pessoas fazem churrasquinho na janela, põe as caixas de som para fora, vira uma festa”, observa a fotógrafa. Entre casais, famílias e esportistas, é possível encontrar todos os tipos de figuras. “Fotografei uma mulher de biquíni tomando sol embaixo de sua janela, como se fosse o quintal dela mesmo. É uma cena surrealista”, analisa.

O trabalho de Fischer parte da premissa de que cada vez mais as residências paulistanas não possuem mais quintais, locais para o descanso e lazer. Mesmo áreas para o convívio em grupo não são tão freqüentes. “O paulistano está se tornando cada vez mais individualista, mas fechado em sim”, diz. Assim, a população, aos poucos, tomou para si uma estrutura cinza e a transformou em um parque, nas palavras da fotógrafa.

O medo, uma das sensações mais presentes no cotidiano do morador de São Paulo, passa longe do parque que se tornou o Minhocão, segundo Fischer. Ela conta que as pessoas mudam sua postura ao entrarem no elevado para passear. “Se você desce a Consolação, as pessoas estão andando rápido, tentando evitar o contato pessoal. No Minhocão elas relaxam, tomam sua cervejinha, paqueram.” Os únicos correndo, garante, são aqueles que praticam esporte.

A exposição “Quintal” terá atores e pessoas comuns “vestindo” as fotografias tiradas por Fischer. “Tentamos contar com as pessoas que foram fotografadas, mas nem todas estão em São Paulo no final de ano.” Em janeiro, todas as fotos estarão disponíveis no site http://quintal.luanafischer.com/ .

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