Exposição "Cuba in Revolution" reúne 180 fotos em Nova York

Mostra reúne panorama da ilha antes e depois da Revolução de 59

Agência Estado |

Estampado na nota de três pesos cubanos e provavelmente a fotografia mais reproduzida no mundo, "Guerrilheiro Heroico", o retrato que Alberto Korda tirou meio que por acaso de Che Guevara num enterro, em 1960, é um símbolo universal de revolução. "Cuba in Revolution", que o International Center of Photography (ICP) exibe em Nova York até 9 de janeiro, amplia dezenas de vezes o cenário histórico daquela imagem. Com 180 fotos em preto e branco feitas por 30 fotógrafos, cubanos e estrangeiros, a exposição retraça o panorama político e social da ilha desde meados da década de 1940 até o final dos primeiros dez anos do regime instalado lá por Fidel Castro em 1959.

Em meio a imagens captadas por fotógrafos como Cartier-Bresson, René Burri, Burt Glinn e Elliot Erwitt, salienta-se a perspectiva de cubanos como Korda e outros menos ou não conhecidos. As dos estrangeiros mostram a visão deles em passagens por Cuba para fazer suas reportagens, publicadas mundo afora; as dos locais testemunham o cotidiano de seus autores e muitas são vistas em público pela primeira vez.

A Cuba antes de Fidel Castro escorraçar Fulgêncio Batista no Ano-Novo de 1959 ressurge no contraste das fotos de Constantino Arias que abrem a exposição, montada em ordem cronológica. Nos anos 40, Arias ganhava a vida fotografando a elite de Havana e turistas ricos em férias na capital. Chegou a ter um pequeno laboratório num dos quartos do Hotel Nacional e dali fotografou a miséria de uma favela que crescia num terreno vizinho. Nos anos 50, ele se tornou membro do Partido Ortodoxo e do Movimento 26 de Julho, organizado por Fidel. Ao mesmo tempo em que cobria festas como a da etapa cubana do Miss Universo 1955, fotografava mendigos à mingua e protestos estudantis nas ruas de Havana. Numa foto dele, meio século antes de suceder o irmão na presidência do país, Raúl Castro empunha a bandeira cubana ao lado de Armando Hart, que viria a ser ministro da Cultura entre 1976 e 1991.

O 26 de Julho lembrava o dia de 1953 em que Fidel comandou uma insurreição contra o quartel general de Moncada, em Santiago de Cuba. Recém-formado em Direito, o ainda inexperiente comandante foi capturado e condenado a 13 anos de prisão. Anistiado dois anos depois, ele aparece com oito companheiros saindo do presídio de Isla de Pinos, em foto feita por Tirso Martinez, numa das raras vezes em que é visto ainda usando terno e não numa farda, como passaria o resto da vida. Martinez acompanhou muitos outros momentos marcantes na carreira de Fidel.

Na década de 1950, enquanto a imprensa internacional acompanhava viagens de Fidel do seu exílio no México a fim de levantar fundos para o 26 de Julho, cubanos anônimos fotografavam, às escondidas, corpos de opositores do governo executados e dispostos de forma a parecer que foram mortos em ação. É de um fotógrafo não identificado a foto do corpo de José Antonio Echeverría, presidente da Federação dos Estudantes Universitários, assassinado a tiros quando ia para a escola, em Havana. "Cuba in Revolution" termina com 'Despedidas na Rua 17, Havana', parte de uma série sobre exílio feita entre 1965 e 1967. 

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