Dirigida por Antônio Abujamra, peça estreia nesta sexta (9) no Sesc Belenzinho, em São Paulo

O amor pode estar longe. Muito longe. E, mesmo quem chega lá, pode deparar-se com um lugar estranho. Em nada semelhante à projeção idílica que costumamos acalentar. Com "Paraíso", espetáculo que estreia hoje (dia 9) no Sesc Belenzinho, em São Paulo, o dramaturgo Dib Carneiro Neto flagra um casal aprisionado em um espaço não identificado. Encerrado em algo que pode ser um inferno. Ou não.

“Sempre me interessei no modo como cada pessoa entende o que é o paraíso ou o inferno”, diz o autor. O mote para o texto vem daí. Mas também se junta a outras questões: a loucura, a velhice, o afeto que pode ser fonte de satisfação - mas também de frustração e sofrimento.

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Quem leva a obra à cena é Antônio Abujamra. Em sua concepção, o diretor optou por abandonar algumas das indicações da dramaturgia original e deu novos matizes a diversos aspectos. Por exemplo: Carneiro Neto escreve sobre um casal de idosos. O público verá, entretanto, dois jovens atores - Miguel Hernandez e Nathália Côrrea - como protagonistas.

Outra leitura particular do encenador diz respeito à figura de um filho - que nunca aparece. O que deveria ser só uma evocação surge aqui encarnado por 20 intérpretes. “O filho é o futuro, a continuidade, a descendência, o que fica, o que deixamos, o que plantamos. Essa figura no espetáculo é representada por um coro de homens e mulheres, a diversidade humana”, diz Abujamra. Não por acaso, ele assina não apenas a encenação como também a adaptação da peça.

Nessa versão que vem a público, quase todos os laços que poderiam conectar "Paraíso" à realidade foram apagados. Certo lastro existencialista ganha relevo, as personagens parecem completamente descoladas do cotidiano. Não estamos diante das representações do que seriam um homem e uma mulher específicos. Antes, o que sobe ao palco são corporificações de ideais de feminino e masculino. “É o encontro entre o homem e a mulher em sua essencialidade, como representantes do gênero humano”, lembra o diretor.

Serviço:

De 5ª a sábado, às 21h30; domingos, às 18h30. Ingressos R$ 24. Até 8 de abril.
Sesc Belenzinho - Sala de Espetáculos II. Rua Padre Adelino, 1000. Tel: 2076-9700.

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