Escultura rara de Gauguin será leiloada em Nova York

"Jeune Tahitienne" foi feita durante viagem do artista ao Taiti entre 1891 e 1893

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Busto retrata jovem taitiana e possui enfeites feitos pelo próprio Gauguin
Um busto de madeira esculpido por Paul Gauguin será leiloado em 3 de maio, com a expectativa de ser arrematado por até R$ 24,8 milhões, segundo a casa Sotheby's. "Jeune Tahitienne" (Jovem taitiana), esculpido por Gauguin em sua primeira viagem ao Taiti, entre 1891 e 1893, retrata uma jovem taitiana não identificada e inclui enfeites criados pelo próprio Gauguin, usando conchas do mar e pedaços de coral vermelho.

Um furo deixado na orelha da figura teria originalmente contido uma flor, segundo especialistas, e duas raposas esculpidas na nuca representam uma espécie de assinatura usada por Gauguin com frequência, simbolizando a sexualidade. "É raro ver uma obra de arte de qualidade tão elevada e história tão interessante", disse Simon Shaw, diretor de arte impressionista e moderna da Sotheby's. "É uma peça realmente singular."

O busto de 24 centímetros de altura não é visto em público desde 1961. Gauguin o deu de presente a Jeanne Fournier, de 10 anos de idade na época, filha do colecionador e crítico de arte francês Jean Dolent. O busto será exibido em Hong Kong, Londres e Nova York em abril.

"As esculturas dele não foram bem recebidas pelo mundo da arte de vanguarda francesa da época, embora o próprio Gauguin as considerasse suas maiores obras", comentou Shaw. "É provável que Jeanne Fournier tenha reagido de maneira muito mais positiva e visceral." Mais tarde Fournier deu a escultura ao padre dominicano Celas Rzewuski, que, por sua vez, a entregou à Sotheby's, que a vendeu a seu proprietário atual.

A escultura é o único busto plenamente trabalhado de Gauguin do qual se tem conhecimento. Gauguin é mais conhecido por suas pinturas pós-impressionistas, muitas das quais retratam cenas dos anos que ele passou vivendo nas ilhas da Polinésia Francesa. Após uma viagem inicial à Polinésia entre 1891 e 1893, Gauguin se mudou para lá permanentemente, e foi lá que morreu.

Shaw disse que o fascínio de Gauguin com a Polinésia se devia a seu desejo de escapar da vida moderna e de sua carreira anterior de corretor de ações em Paris, algo que encontra eco entre muitos de seus entusiastas atuais. "Depois de deixar o setor bancário, Gauguin tornou-se escapista", disse Shaw. "Ele quis se afastar das multidões e do mundo moderno. Saiu em busca de outro mundo. Alguma coisa nessa sua fuga e o fato de ter encontrado uma realidade alternativa tem grande ressonância para os dias de hoje."

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