¿Pterodátilos¿, sobre a elite, e ¿Mais respeito que sou tua mãe¿, que se passa no subúrbio, têm suas familiaridades

Duas peças em cartaz atualmente no Rio colocam em discussão a instituição “família”. Em “Pterodátilos”, se discute a desintegração do ambiente familiar da alta sociedade, esbanjada em luxo e conforto, onde seus integrantes mergulham na individualização. Já na peça “Mais respeito que sou tua mãe”, uma família de baixa renda, que poderia morar em qualquer subúrbio do País, vive às turras com a falta de emprego, oportunidades e, claro, carinho e atenção.

¿Pterodátilos¿, com direção de Felipe Hirsch, tem o cenário desmontado ao longo da encenação
Divulgação
¿Pterodátilos¿, com direção de Felipe Hirsch, tem o cenário desmontado ao longo da encenação
Na primeira, Marco Nanini protagoniza um pai de família atordoado com a perda do emprego, além de também dar vida a uma adolescente em crise com a figura materna – a ponto de ela querer se tornar lésbica. Na segunda, é a figura materna que está no centro da narrativa, conduzida por Claudia Jimenez. Abusando nos palavrões, Nalva, sua personagem, relata como educou, apesar de toda a crise, seus três filhos: um gay que volta a se engraçar por mulheres, um maconheiro que se torna artista plástico fotografando suas fezes e uma rebelde que ganha a vida se exibindo em frente à webcam.

Se na peça de Nanini, que tem direção de Felipe Hirsch, a família - elitizada - começa aparentemente estruturada e vai se desmantelando com o passar do tempo, no espetáculo de Jimenez, com direção de Miguel Falabella, o seio familiar – miserável - está aos cacos, ainda que repleto de clichês. A diferença é que nesta segunda, com o tempo, sobrevivendo a todas as crises, os seus protagonistas percebem que o amor os une.

¿Mais respeito que sou tua mãe¿
AgNews
¿Mais respeito que sou tua mãe¿
A ideia de “Pterodátilos” é soturna, nebulosa, uma crítica severa à sociedade de consumo e às aparências que, muitas vezes, escondem os sentimentos que se nutre entre as pessoas próximas. Com cores mais alegres, num tom meio “Sai de Baixo” que persegue a dupla Falabella-Jimenez, “Mais respeito que sou tua mãe” é uma comédia de costumes que se propõe discutir como a pobreza interfere nestes mesmos sentimentos cotidianos.

A família, em ambos os casos, é um personagem a mais em cena. O humor permeia os textos, apesar de todo o drama. Em um dado momento de “Pterodátilos”, a mãe alcoólatra (vivida pela ótima Mariana Lima) chega a esquecer o nome da filha. “Como pôde esquecer? Foi você quem escolheu o meu nome”, questiona a filha, vivida por Nanini. A cena arranca risos do público. Em “Mais respeito que sou tua mãe”, a mãe não esquece o nome da filha mas, ao eleger o seu preferido, despreza os outros como se não fossem seus. “Não é possível, joguei o bebê fora e criei a placenta”, solta Jimenez, para delírio imediato do público.

Seja rico ou pobre, o sujeito está condicionado a um quadro intempestivo de solidariedade ou de raiva na mais íntima instituição social. Ambas as mesas sugerem que o humor – e a moral - de uma família independe do que ela tem em sua geladeira e na sua mesa de jantar.

¿Pterodátilos¿ (Foto) está em cartaz no teatro das Artes, no shopping da Gávea. ¿Mais respeito que sou tua mãe¿ está no teatro Leblon
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¿Pterodátilos¿ (Foto) está em cartaz no teatro das Artes, no shopping da Gávea. ¿Mais respeito que sou tua mãe¿ está no teatro Leblon

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