'Ciranda' é um espetáculo que emociona e surpreende

Com Tania Bondezan e Daniela Galli, peça é o segundo texto da autora Célia Forte e reestreia em São Paulo

Dênis Victorazo, especial para o iG Cultura |

Mais um capítulo da temporada da peça “Ciranda”, que reestreia nesta sexta-feira (dia 6) no horário nobre no Teatro Renaissance, em São Paulo, para curta temporada.

A notícia deve ser comemorada. Em primeiro lugar, porque é um espetáculo delicioso que merece ser visto por quem ainda não teve a oportunidade. Mas o motivo maior a comemorar é que o sucesso de "Ciranda" consolida uma nova autora teatral, e isso não é pouca coisa.

João Caldas/Divulgação
Daniela Galli e Tania Bondezan interpretam a filha executiva e a mãe hippie na peça

Teatro não é brincadeira

Quando Célia Forte, depois de 20 anos como produtora e divulgadora reconhecida, resolveu mostrar um texto que havia escrito, podia não ter sido levada a sério. Escrever teatro é difícil; requer talento, trabalho duro e conhecimento técnico, ou corre-se o risco de colocar em cena uma brincadeira particular, com nível de jogral de escola.

Seu texto de estreia, "Amigas, Pero No Mucho", segundo ela mesma escrita “no susto”, tinha humor, mas muito dele vinha da participação do ótimo elenco encabeçado por Elias Andreato e Leopoldo Pacheco, e da direção de José Possi Neto. Outro grande acerto foi sugestão do amigo Marcelo Médici: usar um elenco 100% masculino interpretando as quatro "amigas".

Portanto, ao ver "Ciranda", espetáculo delicado que emociona e surpreende, temos a certeza de que toda a quilometragem como produtora ensinou muito a nova autora que surge.

João Caldas/Divulgação
Tania e Daniela representam mãe e filha em duas gerações da família
A ciranda dos confrontos familiares

O mesmo diretor foi escolhido na montagem de sua segunda incursão como autora. "Ninguém entende tanto minhas mulheres como o Possi. Ele tridimensiona de maneira impressionante o que coloquei no papel. Foi assim em 'Amigas' e está sendo agora" conta Célia.

O belo e aconchegante cenário é de Fábio Namatame, que assina também os figurinos dessa comédia dramática que começou quase modesta e ganhou estatura de gente grande, tendo sido vista por mais de 20 mil espectadores.

A trama de "Ciranda" se desenvolve em torno do universo familiar. As mulheres de uma família, mãe, filha e avó, interpretadas com garra por Tania Bondezan e Daniela Galli, convivem com suas diferenças gritantes.

"Sou uma pessoa piegas e ao falar da família, falar de mãe, sempre se esbarra nesses sentimentos, por mais que esse texto seja muito diferente de mim", conta Célia. E completa: "A gente pode até tentar ser muito diferente um do outro, mas no fim das contas o que nos rege é a busca por algo que é muito parecido." Vida longa, Célia Forte.

"Ciranda" , de Célia Regina Forte
Sexta e sábado, 21h30; domingo, 19h
Ingressos: R$ 50 (sexta e domingo) e R$ 60 (sábado)

Direção: José Possi Neto
Elenco: Tania Bondezan e Daniela Galli
Cenário e Figurino: Fábio Namatame
Iluminação: Wagner Freire
Trilha Sonora: Tunica Teixeira e Aline Meyer
Assistente de direção: Eduardo de Santhiago

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