Wagner Moura deixa televisão para trás e foca no cinema

Estrela de ¿Vips¿ e amigo das bilheterias, ator rejeita a ideia de que para agradar ao público um filme precise ¿ser uma droga¿

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

AgNews
Wagner Moura na pré-estreia de "Vips" em São Paulo, nesta segunda-feira
A maturidade do cinema brasileiro contemporâneo passa pelo nome de Wagner Moura. Selton Mello divide as atenções, mas Moura tem o amparo do público e das bilheterias: desde 2007, quando estreou o primeiro "Tropa de Elite", seus filmes foram vistos por cerca de 14 milhões de espectadores e faturaram por volta de R$ 125 milhões. Nenhum outro artista nos últimos anos, nem mesmo favoritos das telas como Xuxa ou Renato Aragão, pode se gabar disso. Em entrevista para divulgar "Vips", que estreia na próxima sexta-feira (25), Wagner Moura, aos 34 anos, contou ao iG que não tem nenhum problema com o sucesso, pelo contrário: quer ser visto. E não só pelos brasileiros, já que a partir de julho filma em Hollywood um projeto ao lado de Matt Damon e Jodie Foster.

"Sou um artista que quer se comunicar com as pessoas", disse o ator. "Meu trabalho foi feito para as pessoas assistirem, sem que isso seja um demérito, sem que eu tivesse que abaixar meu senso de qualidade, meu senso estético. Shakespeare existiu como um dos maiores artistas de todos os tempos, mas popular em sua essência."

A partir disso, seria fácil imaginar o ator na televisão, mas seu último papel foi na novela "Paraíso Tropical", há quatro anos, justamente quando "Tropa" entrou em cartaz, e ele não mostra qualquer disposição de voltar aos folhetins tão cedo. "A novela é uma coisa de tempo, você precisa passar um ano inteiro fazendo, tem que estar com muita disposição. Além disso, o cinema brasileiro está vivendo um momento muito bom. Acho que 'Vips' se insere num contexto extraordinário, que são de filmes de qualidade, com bons roteiros, bem produzidos, com bons atores e que querem ganhar público, achar um lugar no mercado."

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Wagner Moura em "Vips", que estreia nesta sexta
"Tenho muito bode desse negócio de que filme bom precisa ser um negócio cabeçudo para 17 pessoas assistirem, e que filme pra agradar o público precisar ser uma droga, ser um filme bobo", continuou o ator. "Acho significativo o 'Tropa de Elite 2' ser o maior sucesso da história do cinema nacional porque ele se enquadra nisso, reúne uma dimensão política enorme, tem substância e as pessoas mesmo assim foram lá e assistiram. O espectador não é um idiota, que só quer ver porcaria, e nem o crítico só vai respeitar um negócio porque é hermético. Talvez o Brasil, por ter uma herança do Cinema Novo, do cinema político, tenha deixado essa sensação de que filme bom tem de ser difícil, não pode se comunicar. Digo isso não em oposição ao cinema de experimentação, que acho ótimo e precisa ser feito. Mas acho que não é só ele que merece ser aplaudido pela crítica e pelo público."

Moura também disse se sentir confortável com o fato de, sozinho, já conseguir atrair público para o cinema, responsabilidade geralmente exclusiva a galãs ou astros infantis. "Acho bom existirem atores que chamem o público para o cinema. Eu vou ver os filmes que o Selton faz, por exemplo, porque gosto do trabalho dele. A mesma coisa com Sean Penn, Al Pacino. Isso faz parte. O fato de ter um ator que leve o público também é significativo desse momento do cinema brasileiro."

O convite para o primeiro trabalho de destaque em Hollywood, segundo Moura, foi consequência de sua exposição nas telas do país. "Estou indo fazer esse trabalho por causa do 'Tropa de Elite', principalmente, mas também pela história que tenho aqui." O filme em questão se chama "Elysium" e tem direção do sul-africano Neill Blomkamp, o mesmo de "Distrito 9", indicado ao Oscar no ano passado. O ator comentou que "Tropa" e "Distrito" são esteticamente parecidos, pelo "viés político", e que aceitou o papel de um vilão pela qualidade do roteiro, que se passa 100 anos no futuro. "É um personagem muito bom, que eu aceitaria se fosse feito aqui ou em qualquer lugar. É muito legal mesmo."

Ao lembrar do passado, Wagner Moura contou ter saudade de um certo sentimento "selvagem" da juventude, mas não troca isso pela experiência. "Entendi melhor como funciona o mecanismo do cinema, jogo melhor com a parafernália toda. Me tornei um ator rodado, tanto que é me deu vontade de dirigir um filme."

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Vanessa da Mata e Wagner Moura no set do videoclipe dirigido pelo ator
A estreia atrás das câmeras acontece com o clipe de "Te Amo", de Vanessa da Mata, que será veiculado em breve. Rodado em 35mm, o vídeo é protagonizado pela bailarina Marilena Ansaldi, tem figurino do estilista Ronaldo Fraga, fotografia de Lula Carvalho ("Tropa 2", Budapeste") e montagem de Daniel Rezende ("Cidade de Deus"). "O que me dá tesão de dirigir é poder reunir vários profissionais legais e deixar eles trabalharem. Estou feliz."

São dois os projetos como diretor de longa-metragem, a exemplo, mais uma vez, de Selton Mello (que dirigiu "Feliz Natal" e finaliza "O Palhaço). O primeiro, segundo ele, "muito pessoal, como geralmente são os primeiros filmes", ainda ganha forma e está apenas em um caderno, escrito a mão, com caneta esferográfica. O outro é a adaptação de um livro, não-revelado, através de Rodrigo Teixeira, da RT Features, produtor famoso por ter comprados os direitos de sucessos recentes como as biografias de Tim Maia e de Lobão.

Enquanto as ideias não se concretizam, Wagner Moura continua a toda como ator. No segundo semestre estreia "O Homem do Futuro", de Cláudio Torres, mistura de comédia e ficção científica. Nesta semana, ele começa as filmagens de "A Cadeira do Pai". Primeiro longa do diretor Luciano Moura, o filme conta a história de um casal de médicos que está se separando e precisa lidar com o sumiço do filho de 13 anos, que foge de casa. Ainda no elenco, estão Mariana Lima ("A Suprema Felicidade") e Lima Duarte.

Além disso, tem ao menos mais dois projetos encaminhados: a superprodução "Serra Pelada", de Heitor Dhalia, diretor que está atualmente em Hollywood filmando com Amanda Seyfried; e a adaptação do livro "Viúvas da Terra", sobre política agrária no Brasil, com direção de Henrique Goldman ("Jean Charles"). Isso sem contar as novas propostas que recebe semanalmente. A televisão, realmente, ficou para trás.

Assista ao trailer de "Vips":

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