"Velozes e Furiosos 5" não se preocupa em retratar Brasil

Sem escalar atores do país, franquia investe só em velocidade e testosterona

Reuters |

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Paul Walker e Vin Diesel em "Velozes e Furiosos 5": filme bateu recorde do ano nos Estados Unidos
Mesmo cercado, o criminoso Dominic Toretto (Vin Diesel) explica para o seu captor americano que não se entregará: "Porque aqui é o Rio (de Janeiro)". A cena, que é acompanhada por gangues empunhando armas e a fuga do policial, pode ser uma síntese do que o espectador irá encontrar numa sessão de "Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio".

Embora incomode a imagem de que cariocas andem por aí armados, prontos para um tiroteio, a cena concentra tudo o que se pode esperar de produções do gênero: diálogos simples, tensão permanente, violência explícita e virilidade robótica dos protagonistas. Tudo sob medida para um tipo público masculino jovem, fissurado em filmes de ação e carrões velozes.

Público fiel, aliás, que lotou as salas de cinema americanas que exibiram o filme, dando a ele um faturamento de US$ 83,6 milhões só no primeiro fim de semana, fazendo desta sequência não só a mais rentável da franquia, mas a melhor estreia do ano nos EUA , batendo a animação "Rio" (do brasileiro Carlos Saldanha), então em primeiro lugar. Com um orçamento de cerca de US$ 125 milhões, o filme também deu novo fôlego ao seu distribuidor, Universal Pictures, e à indústria cinematográfica em geral, que vê seu faturamento diminuir ano a ano.

Para os que acompanharam os filmes anteriores, um agrado dos roteiristas Chris Morgan e Gary Scott Thompson foi o de reunir os personagens da série e respeitar a narrativa histórica. Assim, a produção tem início com a fuga de Dominic (Diesel), preso na última sequência, arquitetada por sua irmã Mia (Jordana Brewster) e Brian (Paul Walker), agora, ex-policial e fugitivo.

Em busca de um antigo parceiro de trambiques, Vince (Matt Schulze), o trio viaja ao Rio de Janeiro, onde consegue um trabalho para roubar carros de um trem. O negócio dá errado e eles passam a ser inimigos do chefe do crime carioca, Reyes (o ator português Joaquim de Almeida, de "O Xangô de Baker Street"), tão caricato quanto os policiais corruptos ao seu lado. A situação se complica quando o governo norte-americano envia uma equipe de soldados de elite para buscar os criminosos, liderada pelo truculento Hobbs (Dwayne Johnson, de "Escorpião Rei").

Dominic, Mia e Brian chamam então seus antigos colegas Roman (Tyrese Gibson), Tej (Ludacris), Han (Sung Kang), Leo (Tego Calderon) e Gisele (Gal Gadot) – todos participantes de outros filmes da franquia – para roubar a fortuna de Reyes e escapar de Hobbs. Algo inspirado em "Onze Homens e um Segredo".

Dirigido por Justin Lin, "Operação Rio" não se preocupa em mostrar as belezas naturais da cidade ou de seu povo. Além de dispensar atores brasileiros no elenco, nem mesmo tem o cuidado de que os personagens falem realmente português. Em algumas cenas, o sotaque estrangeiro é tão carregado que mal se entende o que se diz. Mas os únicos que notarão este problema serão os espectadores das poucas cópias legendadas – a grande maioria é mesmo dublada.

Há quem possa reclamar também de que a produção reflete uma imagem negativa do Rio de Janeiro, o que não seria um erro. Mas o que importa aqui é: velocidade, testosterona e o desfile de carros. Veracidade e lógica narrativa seriam um luxo neste caso. Basta ver que a cena mais aguardada é a luta, "na mão", entre os atores de ação Dwayne Johnson e Vin Diesel.

No entanto, para um filme que se apoia na corrida de carros, é preciso dizer que elas estão em falta durante a projeção. Com exceção da perseguição final, os famosos "rachas" não estão lá. No meio da história, um deles é cortado tão friamente que parece defeito do exibidor. Isso indica uma falta de identidade, bem como que a série irá por outro caminho, já que, como anunciado depois dos créditos finais, ainda há muita fúria pela frente.

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