Veja trecho exclusivo de Anamaria – “A Mulher de Branco de Ipanema”

O jornalista Chico Canindé levou três anos para concluir o documentário que conta com canções gravadas em 74 pela “mulher de branco”

Priscila Bessa, iG Rio de Janeiro |

Há três anos o jornalista Chico Canindé decidiu que iria documentar a história de Anamaria de Carvalho , mais conhecida como a “mulher de branco”, figura fácil nas esquinas de Ipanema, zona sul do Rio, quase sempre falando frases desconexas e, durante décadas, trajando roupas da mesma cor. Mas o que mais chamou a atenção do jornalista a respeito de Anamaria foi a história por trás da “personagem”.

Antes de passar a maior parte do tempo perambulando pelas ruas a carioca foi modelo e fez carreira internacional ao lado de Sérgio Mendes e do ex-marido, o compositor Marcos Valle, com quem foi casada na década de 60. “Sempre fui fascinado pela história dela. No começo sem pretensão nenhuma, não sabia no que ia dar. Mas a conversa com ela flui muito. É uma pessoa articulada”, diz Chico, que fez a première de Anamaria – “A Mulher de Branco de Ipanema” , na segunda-feira (26), no Oi Futuro, em Ipanema.

O diretor pretende organizar um lançamento para o documentário e busca a possibilidade de incluí-lo em festivais. “Quero levar o filme para cinemas alternativos e vou fazer um lançamento em outubro, em São Paulo, mas o local ainda não está definido”, conta o jornalista, que comemora a receptividade positiva após o primeiro contato do público com o documentário. “As duas sessões da première ficaram lotadas e vi pessoas que chegaram a se emocionar. Anamaria adorou porque teve a presença de amigos. Se sentiu bastante acolhida”, afirma Chico, que até o último minuto vivia um mistério: não sabia se a estrela do documentário iria ou não aparecer.

“Foram três anos indo e vindo porque moro em São Paulo, contratando cinegrafista, equipamento, tudo. Não tive patrocínio nenhum. Só o apoio para a première. Então durante todo esse processo meus grandes parceiros foram a Cia. de Cinema, que fez a finalização de imagens, e a Play RK30, responsável pela finalização do áudio. Além do Álvaro Saad Peixoto, coordenador de produção”, diz ele, que com a ajuda da produção conseguiu resgatar três músicas gravadas em 1974 por Anamaria em Buenos Aires, na Argentina, mas nunca chegaram a ser lançadas. Digitalizadas, as faixas “Rebuliço”, “Suco de Tomate Frio” e “Movimento do Ar”, na voz de Anamaria, fazem parte da trilha do filme.

Apesar do contato profundo com Anamaria, Chico deixa claro que o documentário não tenta explicar o que levou a então “garota de Ipanema” a se tornar a “mulher de branco”. “O que eu quis mostrar no filme é que ela é uma pessoa doce. Os motivos que a deixaram assim nem eu sei. Ninguém sabe. É um conjunto de fatores. Ela vive em dois mundos. Quando não está mais a fim ela começa a falar no celular imaginário dela”, conta Chico.

Sobre Anamaria viver nas ruas, esclarece: “Saíram notas dizendo que ela era moradora de rua, mas não é verdade. Ela mora num apartamento em Ipanema. Por que ela vive assim? É opção, é modo de vida. O que ela quer é ficar perto do mar”.

A seguir, um trecho do documentário cedido com exclusividade ao iG:


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