Universo mitológico de Thor ganha boa versão para o cinema

Filme do Deus do Trovão estreia com Chris Hemsworth no papel principal

Augusto Gomes, iG São Paulo |

MiGCompFotoLinks_C:undefined Perto de Thor, os outros herois da Marvel adaptados para o cinema são até realistas. Homem-Aranha e Hulk, por exemplo, são resultado de acidentes envolvendo radiação. Os X-Men, frutos de mutações genéticas. E o Homem-de-Ferro, bem, é apenas um homem com uma armadura. Já Thor é um deus, e com todos os fatores que isso implica: poderes praticamente ilimitados, imortalidade, controle sobre os elementos . Seu universo é mais mitológico que humano, mais mágico que científico. Algo que, no cinema, poderia dar muito errado.

Mas o filme "Thor", que estreia no Brasil nesta sexta-feira (29), deu bastante certo, com os acontecimentos mais fantásticos fluindo naturalmente na tela. Na trama, Thor é o herdeiro do trono de Asgard, reino de guerreiros comandado por seu pai, Odin. Ele, no entanto, ainda não está preparado para ser rei: não pensa antes de agir e, segundo o pai, está preparado para a guerra, mas não para a paz. Depois de um incidente (melhor não revelar mais para não estragar as surpresas), seu pai decide exilá-lo na Terra, sem poderes, para que ele aprenda algumas lições.

Junto com Thor, chega à terra o seu martelo, chamado Mjolnir. Para conseguir levantá-lo novamente, e assim reaver seus poderes, Thor deverá provar-se digno. Como? Basicamente, tomando lições de humildade e compaixão pelo próximo. Sua professora involuntária é a jovem cientista Jane Foster, vivida pela vencedora do Oscar Natalie Portman. O grande vilão é Loki, irmão de Thor, que deseja ocupar o seu lugar como herdeiro do trono de Asgard. Uma série de outros deuses guerreiros e de agentes secretos da SHIELD, já conhecidos de quem viu os dois "Homem de Ferro", completam a trama.

Divulgação
Thor em sua versão terrena e sem poderes
O australiano Chris Hemsworth interpreta Thor. Praticamente desconhecido (antes, havia feito uma ponta em "Star Trek"), ele é um Deus do Trovão perfeito. Primeiro, por ter o físico ideal para viver o heroi. Segundo, por conseguir ser simpático mesmo quando é arrogante. Seu Thor, mesmo quando despreza tudo e todos, é antes um tolo imaturo do que alguém mau. Isso torna mais palatável a metamorfose do personagem, de alguém que sentia prazer em destroçar inimigos numa batalha para uma pessoa disposta a sacrificar sua vida para salvar inocentes.

Anthony Hopkins dá a dose necessária de autoridade ao todo-poderoso Odin, enquanto Tom Hiddleston compõe um Loki dissimulado como deveria ser. Natalie Portman, em compensação, não tem muito o que fazer como Jane Foster - se ela queria um trabalho mais tranquilo após os desafios físicos e emocionais de "Cisne Negro", conseguiu. O principal ponto fraco, entre os atores, é Kat Dennings, que vive uma amiga de Foster. Seu papel também não ajuda: ela é o alívio cômico responsável por uma piada a cada 15 minutos de filme. Pena que nenhuma tem graça.

Outro problema é que a esmagadora maioria das cenas de ação se concentram no início e no final da história. No meio, há um longo bloco em que os personagens basicamente explicam ao espectador o que está acontecendo. O filme seria bem melhor se esses momentos fossem combinados com mais sutileza com as sequências de ação. Mas aí a culpa é mais do roteiro do que da boa direção de Kenneth Branagh. O cineasta, mais conhecido por suas adaptações de Shakespeare para o cinema (seu "Henrique V" é uma obra-prima), sai-se muito bem em seu primeiro blockbuster.

Sua tarefa não era fácil. Branagh precisava agradar aos fãs de um dos herois mais queridos da Marvel e, ao mesmo tempo, fazer um filme acessível para quem nunca ouviu falar no heroi . O segundo objetivo foi alcançado, mesmo apelando para os blocos de explicações. O primeiro também: "Thor" é cheio de piscadinhas para os fãs, desde citações ao alter-ego do heroi à aparição relâmpago de um certo integrante dos Vingadores. O personagem é uma mistura bem dosada do Thor clássico criado por Stan Lee nos anos 1960 com a versão Ultimate dos anos 2000.

Não falta também a inevitável cena após os créditos finais, que já havia aparecido nos dois "Homem de Ferro" e no "Hulk" de 2008. Dessa vez, há uma boa pista do que deve acontecer no próximo filme da Marvel, "Capitão América", que estreia ainda este ano. Em 2012, será a vez do longa dos Vingadores, que reunirá a turma toda - Homem de Ferro, Hulk, Capital América e, é claro, Thor. Será interessante ver como os seus poderes divinos - na primeira batalha do filme, praticamente não há limites para o que ele pode fazer - vão interagir com os de herois mortais.

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