'Um Dia': livro comovente é transformado em comédia romântica capenga

Fenômeno literário é levado ao cinema com Anne Hathaway no elenco

Thiago Ney, iG São Paulo |

Enquanto "Um Dia", o livro, é comovente e deliciosamente agridoce, "Um Dia", o filme, é uma comédia romântica despretensiosa e decepcionante.

Esse resultado é até surpreendente, já que "Um Dia" foi pensado para o cinema antes mesmo de ter sido publicado.

Divulgação
Anne Hathaway em "Um Dia"

Escrito pelo inglês David Nicholls, "Um Dia" chegou às lojas do Reino Unido em 2009 e tornou-se um relativo fenômeno literário: vendeu mais de 1 milhão de exemplares (entre papel e digital) e foi traduzido para 40 línguas.

Autor de outros dois romances anteriores, Nicholls vendeu os direitos de "Um Dia" para o cinema em 2008. O filme é resultado da união entre a Random House Films (divisão para cinema da editora Random House) e a Focus Features (produtora de cinema).

Com o manuscrito da obra em mãos, a Random House Films bancou a produção do longa e o levou à diretora dinamarquesa Lone Scherfig (a mesma de "Educação", de 2009). Segundo a RHF, o filme custou "menos de US$ 20 milhões" para ser feito. Anne Hathaway e Jim Sturgess (de "Across the Universe") interpretam o casal protagonista.

Hathaway é Emma Morley, estudante que em 15 de julho de 1988, formatura da faculdade, dorme com o colega Dexter Mayhew. Passam o dia seguinte juntos - e a relação entre os dois começa ali.

Os dois se afastam, trocam cartas, se encontram, se desencontram - e o ponto de partida é sempre o dia 15 de julho de cada ano, por duas décadas.

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Dos 20 capítulos do livro (um para cada ano), menos de dez são realmente apresentados pelo filme - o longa tem 1h47min; o livro, 416 páginas.

São limadas partes importantes, como as cartas que Dexter manda para Emma quando está em viagem; a relação entre Emma e seu chefe no restaurante mexicano no qual ela trabalha como garçonete; os conflitos entre Dexter e seus pais.

"Sabia que teríamos de perder passagens que eu adorava, e que elementos inteiros do livro não funcionariam na tela", justificou Nicholls em entrevista - ele escreveu o roteiro da adaptação.

O problema é que foram perdidos não apenas momentos inteiros, mas sutilezas que, bem amarradas, ajudam o livro a ganhar força. Uma história de amor e de amizade em que se entrelaçam humor, solidão, medo, desconforto e esperança é transformada em uma comédia romântica simplória, capenga.

Se você ainda não leu "Um Dia", evite assistir a este filme - provavelmente vai fazer você perder a vontade de encarar o livro. Se você já leu "Um Dia", talvez valha a pena ver o filme - para comprovar como o livro é bem escrito e emocionante.

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