Trio do mal faz "Quero Matar Meu Chefe" valer a pena

Patrões interpretados por Kevin Spacey, Jennifer Aniston e Colin Farrell brilham na comédia

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

Três amigos fazem um acordo: vão matar os chefes um do outro para que "o mundo seja um lugar melhor". Diretamente inspirada em "Pacto Sinistro" (1951), de Alfred Hitchcock, a ideia é, da mesma forma que Danny DeVito fez com "Jogue a Mamãe do Trem" (1987), achar graça num contexto, a princípio, macabro. Isso é o que "Quero Matar Meu Chefe", de fato, não tem: sem se levar a sério um só minuto, o negócio aqui é pisar fundo no humor adolescente responsável pelas comédias de maior sucesso em Hollywood na última década.

A diferença, dessa vez, é o elenco, tão suculento que, assim como a personagem de Jennifer Aniston, pode verter água quando menos se espera – e isso é uma coisa boa. Ao lado de Kevin Spacey e Colin Farrell, a atriz completa a trinca de chefes do mal da trama. Os três agarraram a oportunidade com gosto e parecem estar se divertindo como nunca. O público percebe e se esbalda.

Os vilões, sem dúvida, são a maior atração, mas a história está nas mãos dos empregados insatisfeitos, que já atuaram juntos na comédia romântica "Amor à Distância" . Jason Bateman ("Coincidências do Amor") é o sujeito certinho que faz de tudo para ganhar uma prometida promoção. Na hora H, o chefe interpretado por Spacey – um maníaco sádico que o obriga a trabalhar nos finais de semana e pede explicações por dois minutos de atraso – resolve ele mesmo assumir a função.

Galinha incorrigível, Jason Sudeikis ( "Passe Livre" ) adora o patrão (Donald Sutherland, numa ponta), mas ele morre logo no início e é substituído pelo filho, Colin Farrell, divertidíssimo – com barriga falsa e careca, ele cria um viciado em cocaína maluco por kung fu, disposto a torrar a verba da empresa em festas, drogas e prostitutas. Por fim, o novato Charlie Day, no papel de um cara atrapalhado, histérico e com voz irritante, trabalha como assistente para a dentista Aniston, ninfomaníaca disposta a tudo para levá-lo para cama. O rapaz é fiel à noiva e pronto, eis aí um assédio sexual de primeira.

Divulgação
Jennifer Aniston em ação: ninfomaníaca
Para tudo funcionar, obviamente, os amigos precisam convencer a plateia que não podem mudar de emprego e aquelas empresas são a única chance que têm. Se as desculpas não são boas o suficiente, ao menos servem para levar a história adiante, até o bar barra pesada onde está Jamie "Filho da Mãe" Foxx, o consultor para o trio cometer a matança sem levantar suspeitas.

Claro que as coisas não dão certo, senão ia ficar difícil de fazer muita piada. E elas se sucedem aos borbotões, politicamente incorretas, preconceituosas, sujas, juvenis, por isso de apelo imediato. O tom não difere muito do que se vê por aí nos blockbusters norte-americanos, embora seja preciso reconhecer o mérito do roteiro de Michael Markowitz, um dos criadores da tresloucada série de animação "Duckman: Detetive Particular" na década de 1990.

"Quero Matar Meu Chefe" ficaria bem mais interessante se apostasse com força no humor negro, que não chega a decolar. As desventuras do trio principal iam se diferenciar da maré e provavelmente o desfecho não seria tão frágil. Mas é inegável o prazer de assistir Kevin Spacey tocando o terror, Farrell bancando o idiota e Jennifer Aniston, ufa, essa sim a verdadeira revelação.

Belíssima aos 42 anos, a atriz foge do esteorótipo cor-de-rosa que construiu e encarna uma femme fatale desbocada, agressiva. O público vai se surpreender ao ver a namoradinha da América seminua falando palavrões o tempo inteiro e usando a expressão "boca gulosa" ao falar de sexo oral. "Me masturbei tão forte vendo 'Gossip Girl' ontem à noite que quebrei uma unha", diz a dentista. Se Aniston queria bancar a "bad girl", conseguiu. Aleluia.

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