"Trabalho Sujo" mistura comédia, romance e humor negro

Dos produtores de "Miss Sunshine", longa procura simpatia na estranheza

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Amy Adams e Emily Blunt são faxineiras de cenas de crime em "Trabalho Sujo"
Seja lá o que as atrizes Amy Adams e Emily Blunt e o ator Alan Arkin tinham em mente quando aceitaram participar de "Trabalho Sujo", isso não parece ter muito a ver com o resultado final do longa. Amy, que é capaz de transitar do drama ("Dúvida") à comédia ("Retratos de Família"), se esforça para dar credibilidade a uma personagem que nasceu destinada a não fazer sentido. O filme entra em cartaz em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

A diretora Christine Jeff ("Sylvia", "Chuvas de Verão") sabe da qualidade de seu elenco e apoia boa parte do filme em cima da dupla de atrizes – mas, claro, isso não é suficiente para evitar os acidentes de um roteiro sem pé ou cabeça, ou o mínimo de sagacidade.

A premissa parte de uma história um tanto absurda, que procura suscitar simpatia pelos estranhos excêntricos e sem sorte que estão ao centro de "Trabalho Sujo". Amy e Emily interpretam Rose e Nora, duas irmãs sem qualquer perspectiva na vida. A primeira é uma promessa que não se cumpriu. Mãe solteira, trabalha como faxineira e espera juntar dinheiro para fazer um curso de corretora de imóveis. Nas horas vagas, mantém um caso com seu ex-namorado, o policial Mac (Steve Zahn) – que lhe dá uma sugestão de trabalho: limpar locais de crimes.

Ele explica que, quando ela chegar para limpar, os corpos já terão sido retirados e só terão de tirar sangue e vísceras – o que não impede a irmã, Norah, de vomitar no primeiro trabalho. Rapidamente – aliás, muito rapidamente e quase sem problemas –, as moças aprendem o novo ofício e até compram uma van na qual estampam o nome da empresa "Sunshine Cleaning", também título original do filme.

A palavra "Sunshine" não está ali por acaso – assim como Alan Arkin. O filme é dos mesmos produtores de "A Pequena Miss Sunshine", em que ator trabalhava, e a história evoca o mesmo clima e tipos de personagens. O humor negro, no entanto, aqui, não funciona tão bem. A diretora vaga de um lado para outro, entre a comédia, o drama e o romance, sem atingir densidade em nenhuma direção.

A estranheza desse trabalho e os temperamentos diferentes das irmãs, aparentemente não bastam para segurar um filme – ao menos, na cartilha da roteirista estreante Megan Holley. Então, ela criou uma subtrama que envolve o passado misterioso das mães das garotas. Um trauma ainda as persegue e o trabalho poderá ajudar a expurgá-lo.

O único personagem consistente e real em "Trabalho Sujo" é Winston (Clifton Collins Jr.). Dono de uma loja de materiais de limpeza, e aficionado por miniaturas, é ele quem traz certo senso de observação e sagacidade para o filme – exatamente o que falta aos demais.

Assista ao trailer de "Trabalho Sujo":

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