Top 10: filmes mudos indispensáveis

Na estreia de "O Artista", conheça o que de melhor se produziu no cinema sem diálogos

iG São Paulo |

Na linha de frente do Oscar 2012 , "O Artista" entra em cartaz no Brasil neste final de semana como uma novidade para muita gente. Afinal de contas, não é todo dia que um filme mudo e em preto-e-branco estreia em grande circuito no país – raramente exibido nos cinemas, esse tipo de produção está restrita a cinematecas e salas de arte, quando muito.

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Mesmo assim, "O Artista" serve como introdução a uma outra escola de cinema, em que a ausência de som era compensada pela força das interpretações, das imagens e da história. Sem diálogos ou explosões, os filmes tinham que tirar água de pedra para manter o público com os olhos presos na tela. Esse esforço deu origem a obras-primas da sétima arte.

Pensando nisso, o iG selecionou dez filmes mudos indispensáveis – todos disponíveis em DVD, a não ser o brasileiro "Limite". Com eles, ao contrário do que se poderia imaginar, você vai perder o sono.

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"O Gabinete do Doutor Caligari" (1920)
Marco do cinema expressionista, o filme alemão é até hoje influência por seu visual estilizado: maquiagem pesada, figurinos escuros e cenários fantásticos, com linhas tortas, distantes da realidade. O conjunto só acentuava o clima da história de horror, em que um hipnotizador, o dr. Caligari do título, utilizava um sônambulo não só para prever o futuro, mas para cometer crimes pela cidade. Uma festa para olhos, o longa de Robert Wiene continua instigante para os olhos de quem o vê hoje, sem contar o final, considerado um dos primeiros a mostrar uma completa reviravolta no cinema.

null"Nosferatu" (1922)
Adaptação não-autorizada da obra de Bram Stoker, o filme de F. W. Murnau muda nomes e algumas situações, mas o enredo é o mesmo: jovem rapaz vai a uma cidadela e encontra Nosferatu, criatura que se alimenta de sangue para sobreviver. Mesmo sem som, o clima de terror é constante, com um grande responsável: o ator Max Schreck no papel do conde Orlok (ou Drácula), com dedos enormes, dentadura, orelhas pontudas e careca reluzente. A interpretação é tão impressionante que até inspirou outro filme: "A Sombra do Vampiro" (2000) imagina que Murnau contratou um vampiro de verdade para a produção.

null "Encouraçado Potenkin" (1925)
Item indispensável nas faculdades de cinema, o longa-metragem russo de Sergei Eisenstein é considerado uma aula de edição. Patrocinado pelo regime comunista, reencena uma revolta de marinheiros do navio do título 20 anos antes. Claramente uma peça de propaganda, o filme não faz questão de mascarar para que lado está torcendo. Mesmo assim, cativa o espectador e tem um par de cenas incríveis, como a famosíssima sequência na escadaria de Odessa, em que um carrinho de bebê desce desgovernado os degraus durante um ataque à cidade (Brian De Palma recriou o trecho em "Os Intocáveis").

null"O Inquilino" (1927)
Inspirado nos casos de Jack, o Estripador, o primeiro suspense de Alfred Hitchcock (que já havia feito outros dois longas) conta a história de um assassino que aproveita a névoa de Londres para atacar suas vítimas, todas mulheres loiras, e sair ileso. Logo depois de conseguir alugar um quarto de sua casa, os senhorios e sua filha desconfiam que o inquilino (Ivor Novello), que costuma sair na calada da noite, é o maníaco. O início de tudo que se convencionou chamar de hitchcockiano.

null"Metrópolis" (1927)
Obra-prima da ficção científica mundial, o filme de Fritz Lang estava à frente de seu tempo: a trama política, os efeitos especiais convincentes e seu cenário impactante (uma arquitetura tanto moderna quanto visionária) eram tão impressionantes que foram confundidos com presunção. Hoje, a produção alemã, milionária à época, é considerada um dos maiores filmes da história. Numa sociedade futurista dividida entre "nobres" e trabalhadores, uma revolução se arma nos porões. Um robô, então, assume a forma de uma mulher para tentar conter a inevitável tomada do poder. Uma versão estendida do filme, considerada perdida até pouco tempo, foi restaurada e exibida na Mostra de São Paulo.

null"A Paixão de Joana D'Arc" (1928)
O julgamento da igreja e consequente morte na fogueira de Joana D'Arc são mostrados com crueza pelo dinamarquês Carl Theodor Dreyer, nessa produção francesa. Torturada mentalmente e com instrumentos, Joana segue firme em suas declarações de que tem uma missão divina. Com muitos close-ups, o sofrimento da garota é palpável, graças à interpretação irretocável de Maria Falconetti, considerada por muita gente a melhor de todos os tempos. Não é pouca coisa.

null"O Homem que Ri" (1928)
O sucesso dos filmes mudos alemães (e europeus em geral) era tanto que Hollywood passou a importar seus cineastas. Paul Leni foi um deles, que recebeu um orçamento gordo para reproduzir a aura expressionista nos Estados Unidos. Desse esforço, nasceu "O Homem que Ri", uma história macabra baseada no romance de Victor Hugo. Depois de uma intriga na realeza britânica, o filho de um nobre cai nas mãos de um cirurgião cigano, que esculpe em seu rosto um sorriso para "zombar eternamente do pai". O bebê cresce e se torna o Homem que Ri, uma atração circense que sofre com sua condição. O personagem é considerado uma das inspirações para o Coringa, de Batman. Embora seja um melodrama, "O Homem que Ri" tem jeito de filme de horror pelo cenário sombrio e atores bizarros.

null"A Caixa de Pandora" (1929)
História tórrida de amor e traição, o filme alemão transformou Louise Brooks, com seus olhos grandes e franjinha, numa estrela internacional. Lulu (Brooks) é a amante de um rico dono de jornal, que a dispensa para casar com outra mulher. Mas o filho do empresário, a princípio só um amigo, também se apaixona por ela. Com ritmo intenso, a trama, bastante avançada para a época, inclui assassinato, fuga, jogatina, prostituição e uma breve aparição de Jack, o Estripador. Sem contar uma mulher vestida de homem, provavelmente num dos primeiros papéis de homossexualismo feminino no cinema. Com tanta coisa acontecendo, "A Caixa de Pandora", e Brooks, mantêm os olhos atentos na tela até hoje.

null"Luzes da Cidade" (1931)
Filmes de Charles Chaplin não faltam: "O Garoto" e "A Corrida do Ouro" são alguns dos mais famosos (e recomendáveis) longas-metragens mudos do ator, diretor, produtor e roteirista, célebre no papel do vagabundo Carlitos. Mas "Luzes da Cidade" chama a atenção pelo ano em que foi produzido: 1931, quando o cinema falado já era um sucesso e os filmes mudos, em pleno esquecimento. Pois "Luzes da Cidade", ao contrário da trama mostrada em "O Artista", foi um sucesso quando na estreia. Apaixonado por uma vendedora de flores cega, Carlitos promete bancar uma cirurgia para ajudá-la. Há muita comédia, mas não se surpreenda se você se pegar enxugando uma lágrima que não seja de tanto rir. Quando quer, Chaplin também consegue fazer cenas de cortar o coração.

_CSEMBEDTYPE_=inclusion&_PAGENAME_=ultimosegundo%2FMiGCompVideo_C%2FMiG_Detalhe&_cid_=1597622205421&_c_=MiGCompVideo_C "Limite" (1931)
Você pode não saber, mas o Brasil tem outro filme tão ou mais celebrado do que "Cidade de Deus" no exterior. Muitos críticos consideram "Limite", do carioca Mário Peixoto, um dos melhores filmes mudos de todos os tempos. O roteiro flagra um homem e duas mulheres à deriva no mar, desesperançosos, enquanto lembram seu passado em terra firme. A narrativa sofisticada, as atuações contidas, raras à época, e uma direção de fotografia surpreendente são algumas das características que mantém o longa relevante e acessível. Incrivelmente, "Limite" permanece até hoje inédito em DVD.

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