"Todo filme em que eu trabalhar deve ser pessoal", diz Coppola

Exibido no Festival de Toronto, "Twixt", novo filme do diretor, explora dor da perda do filho

AFP |

O lendário cineasta Francis Ford Coppola dividiu nesta segunda-feira (12) sua exploração catártica da dor de um pai após a morte de um filho, em seu novo filme, "Twixt", que estreou no festival de cinema de Toronto.

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O romance gótico, parcialmente filmado em 3D, apresenta Val Kilmer como um escritor em declínio que, durante uma turnê, confronta-se com a morte misteriosa de uma jovem numa cidade da Califórnia. O protagonista do filme, que perdeu a filha, recebe a visita do fantasma da garota assassinada (Elle Fanning), que lhe revela os segredos da cidade.

Coppola disse que a ideia veio de um sonho que teve em Istambul. "Pensei, enquanto sonhava: 'Oh, isso parece um roteiro'", disse o cineasta, durante uma entrevista coletiva. Inspirada ainda nos escritos de Edgar Allan Poe e Nathaniel Hawthorne, a história é um conto pessoal de Coppola. "Acredito que todo filme em que eu trabalhar a partir de hoje deva ser pessoal, porque uma das coisas bonitas de se fazer um filme é que você aprende muito sobre o assunto no qual estiver trabalhando", explicou.

"De certa forma, produzir um filme é como fazer uma pergunta. Não sabia que iria me levar a algo que nunca admiti para mim mesmo." O filho mais velho de Coppola, Gian-Carlo, 22, morreu decapitado num acidente de barco em Annapolis, Maryland, em 1986, quando dava os primeiros passos na carreira de produtor de cinema. Griffin O' Neal, filho do ator americano Ryan O'Neal, causou o acidente.

"Todo pai acha que é responsável pelo que acontecer com seu filho, mas eu não tinha percebido como me sentia responsável", explicou Coppola. Durante as filmagens, o cineasta percebeu que "estava na hora de admitir que, no fundo, eu me sentia responsável, porque eu poderia ter ido até lá, ele queria que eu tivesse ido. Se eu vou me sentir melhor agora, não sei", disse.

A batalha profissional do principal personagem do filme, Hall Baltimore, também se assemelha à sua, reconheceu Coppola. "Eu me sentia muito como Hall", disse. "Estava sempre em crise, recebendo críticas negativas e tentando arrumar uma forma de sustentar minha família", contou, lembrando que o "New York Times" descreveu "Apocalypse Now" como "o maior desastre que Hollywood experimentou em 50 anos".

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