Tiradentes exibe "Billi Pig" na homenagem a Selton Mello

Comédia dirigida por José Eduardo Belmonte teve pré-estreia no festival mineiro

AE |

Mario Miranda/Agência Foto
Selton Mello
Selton Mello chorou. Homenageado pela Mostra de Tiradentes na sexta-feira à noite, o ator que deu a cara ao cinema brasileiro da chamada Retomada - pela quantidade de filmes e qualidade das interpretações -, não resistiu.

"Ah, não deu para segurar. O Canal Brasil fez um especial mostrando imagens de todos os filmes que fiz. Ver a vida e a carreira da gente em perspectiva é emocionante. É muita coisa que volta, vivências, pessoas, amigos, desafios."

Selton Mello gostaria de permanecer na cidade histórica mineira para curtir os filmes da Mostra Aurora, a grande vitrine da produção mais alternativa e autoral da produção brasileira. Ela começa nesta segunda e vai até sexta. No sábado, Tiradentes anuncia seus vencedores.

Mas não vai dar. Selton volta ao Rio, onde ocorre nesta terça-feira a pré-estreia de "Reis e Ratos", de Mauro Lima. Vai passar o dia inteiro dando entrevistas, mais ou menos o que já fez em Tiradentes, no sábado.

Ele está curioso para ver o novo filme de seu diretor em "Meu Nome não É Johnny". "Vi alguns cortes e me pareceu muito bacana. O Mauro é supertalentoso." Quando Selton viu "Reis e Ratos", o filme ainda era em preto e branco. A distribuidora Warner resolveu que o filme deveria ser colorizado e, quem viu a nova versão, garante que ficou impressionante.

A homenagem a Selton, na sexta, incluiu a projeção, em pré-estreia nacional e internacional, de "Billi Pig", que ele fez com direção de José Eduardo Belmonte. "É uma comédia muito divertida e o público adorou, mas é um público de festival. Estou cheio de expectativa para ver como será a reação do público de cinema."

Leia também: "Há 30 anos penso em desistir", diz Selton Mello

Selton, quando o repórter visitou o set de "Billi Pig", disse que Belmonte e ele estavam defendendo a terceira via para o cinema brasileiro, para fugir à polarização entre o filme miúra, de autor, que ninguém vê, e a comédia descerebrada, que faz todo tipo de concessão para faturar.

O próprio Selton mostrou que a terceira via é possível com o sucesso de seu segundo longa como diretor - que ele também interpreta -, "O Palhaço". O filme, sensível, autoral, fez 1,4 milhão de espectadores. "Foi um ano muito bom", Selton se refere a 2011.

Está sendo agora coroado com a homenagem de Tiradentes. Ela ocorre no quadro da conceituação da 15ª edição da mostra, O Ator em Expansão. Há cerca de dez anos, Selton esteve pela primeira vez na Mostra de Tiradentes, com "Lavoura Arcaica", de Luiz Fernando Carvalho. Esta década foi prodigiosa para ele, que acumulou sucessos (como ator) e ainda virou diretor (autor).

A Mostra Aurora, com curadoria do crítico Cléber Eduardo, deve apresentar sete longas. O que abre hoje a competição é "Balança, Mas Não Cai", de Leonardo Barcelos, no Cine-Tenda.

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